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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Prêmios da Temporada 2016/17 da NBA - Parte I

Um resumo das redes sociais nas últimas semanas


Se você está chegando agora: sim, o Two-Minute Warning está de volta!!

E como prometido na coluna da semana passada, chegou a hora de falar de basquete. E bastante. A temporada terminou essa quarta feira, os playoffs começam sábado, e temos muito a tratar antes de atingirmos a parte realmente crítica da temporada da NBA.

Mas como de modo geral a primeira rodada dos playoffs é principalmente burocrática, com só algumas poucas séries realmente sendo divertidas e oferecendo potencial de surpresas, tem algo mais urgente para falarmos: os prêmios da temporada.

Eu não lembro de uma temporada mais polarizadora nesse sentido, liderada por uma discussão para MVP que atingiu proporções que eu não lembro de ter visto antes na minha vida. Para onde quer que você vire, as pessoas estão falando a respeito da corrida pelo prêmio, e atrasando em uns 20 anos a parte analítica do basquete no processo: alguns estão buscando se aprofundar cada vez mais nas análises, nas comparações, e tentando atingir um critério cada vez mais racional para separar os candidatos... enquanto que a grande maioria só está preocupada em gritar mais alto e usar parâmetros arbitrários para discutir.

Então como alguém que sempre tenta trazer essa visão mais analítica e crítica, eu não poderia deixar de passar a chance de dar minhas opiniões e trazer minhas visões para a mesa. Além disso, eu gosto de discutir esses prêmios individuais, e a chance que eles nos oferecem para discutir pontos específicos e interessantes da temporada.

E essa na verdade é uma coluna gigante que foi separada em três partes. Essa é a Parte I, que trata dos prêmios individuais da temporada: MVP, Defensive Player of the Year, Rookie of the Year, Coach of the Year, 6th Man of the Year, e Most Improved Player.

A Parte II e a Parte III virão semana que vem, com meus palpites para os times da temporada (All NBA, All Rookie, All Defense) na Parte II, e os Prêmios Alternativos na Parte III.

Parte I: Prêmios individuais da temporada
Parte II: Times ideais da temporada
Parte III: Prêmios alternativos

Vamos ao que importa.


Most Improved Player



Então vamos começar pelo prêmio que eu mais detesto: Most Improved Player, ou o jogador que mais evoluiu na temporada.

O principal motivo para eu detestar esse prêmio é que, embora todos os prêmios da NBA carreguem consigo um bom nível de subjetividades e tenham critérios muito pouco definidos, esse prêmio é de longe o que existe as piores interpretações. O prêmio é para o jogador que "Mais evoluiu", o que indicaria um jogador que fez grandes evoluções no seu jogo e atingiu um nível novo do que o esperado. Mas na grande maioria do tempo, esse prêmio é dado para algum jogador talentoso que por algum motivo viu um aumento de minutos e/ou de papel e viu seus números aumentarem... mesmo que isso tenha acontecido com o jogador fazendo exatamente o que sempre fez antes. Não acredita? Olhe os números abaixo:

A: 17.2 PPG, 9.0 RPG, 1.3 APG, 1.0 BPG, 43.0 FG%, 39.3 3PT%, 21.2 PER
B: 18.0 PPG, 8.3 RPG, 1.0 APG, 0.5 BPG, 43.3 FG%, 39.3 3PT%, 18.1 PER

Esses são os números por 36 minutos de Ryan Anderson nas temporadas 2011 e 2012 da NBA. Anderson venceu o prêmio de MIP em 2012 com números de produção virtualmente idênticos aos da temporada anterior. Então o que aconteceu? Mudanças no elenco do Orlando Magic resultaram em um aumento de minutos para Anderson, que passou de 22 minutos por jogo para 33 minutos por jogo em 2012. Esse aumento em minutos levou a um aumento proporcional na produção bruta de Anderson, e foi isso que os votantes viram e acabaram por elegê-lo o jogador que mais evoluiu de 2012... embora Anderson fosse basicamente o mesmo jogador de um ano antes, fazendo as mesmas coisas, mas só com mais minutos. Para mim isso não é evoluir. Anderson merece crédito por manter a produtividade com uma maior carga, sem dúvida, mas não houve realmente uma mudança no jogador que ele era.

Dito isso, a verdade é que temos bons candidatos a esse prêmio na temporada 2016/17 quando focamos em jogadores realmente mudando seus jogos. E de uma variedade bastante impressionante: temos veteranos que adicionaram algo ao seu repertório para tornar seus times mais eficientes (como Marc Gasol, que se tornou um letal arremessador de 3 pontos da noite para o dia); temos jovens jogadores finalmente colocando seus talentos no lugar e atingindo um novo nível de jogo (como Otto Porter e Bradley Beal); e até veteranos dando passos lentos na direção de um nível maior (Gordon Hayward).

Mas passando por todos os candidatos, esse prêmio para mim ficou entre 5 jogadores, que já é um número muito maior do que o normal, e uma mudança muito bem vinda.

Entre os cinco, talvez o caso mais interessante seja o de James Johnson. Um veterano de menor expressão, Johnson passou sete anos na NBA vagando de time em time, sem nunca achar seu lugar ou seu nicho dentro da NBA. Até que em 2017, no seu quinto time e oitavo ano de NBA, Johnson perdeu 18 quilos e se reinventou como um point-center, capaz de jogar em cinco posições, tapar todo tipo de buraco, e marcar todos tipos de jogadores. Sua versatilidade e energia se tornou uma parte chave de um surpreendente time do Miami Heat, alguém que funciona como um canivete suíço que permite a Miami usar todo tipo de formação e maximizar seu talento. Johnson só não está mais alto na minha lista por um motivo: foi menos uma questão de Johnson desenvolver habilidades novas, e mais de achar um time e um papel que maximizasse as habilidades que ele já possuía. Ainda assim, existe valor e dificuldade de sobra nesse tipo de transformação que JJ fez, e a forma como adaptou-se a essa função precisa ser reconhecida.

(Em tempo: a emergência de Johnson como uma das personalidades mais divertidas da NBA - um faixa preta em kickboxing, lutador invicto de MMA (7-0) e kickboxer (18-0) que enterra na cabeça de todo mundo, da passes insanos ( no bom e no mau sentido) o tempo todo e joga em sexta marcha o jogo inteiro não afetou nesse ranking).

Harrison Barnes é outro exemplo bom, um jogador que veio para a NBA e cresceu em meio a um esquema extremamente favorável, sendo sempre a terceira ou quarta opção de um time que prezava pelo espaçamento e movimentação de bola, e que de repente recebeu uma bolada na free agency para ser o foco de um time muito menos talentoso. Embora uma parte seja a questão de um jogador com um papel menor vendo seus números aumentarem em uma nova situação, a adaptação de Barnes em Dallas foi muito maior do que apenas isso, mostrando grande evolução com pontuador em isolações e com a bola nas mãos de modo geral - e, mais importante, se adaptou de forma impressionante a um novo papel como small ball PF, jogando sem a bola e marcando jogadores maiores em tempo quase integral. Pouca gente apostou nisso, mas Barnes está valendo cada centavo do contrato que recebeu.

Um candidato mais falado e cotado ao prêmio é Nikola Jokic, o fantástico pivô passador de Denver. Esse, na verdade, é um candidato que eu não gosto tanto quanto outros: É o caso onde me parece mais Jokic recebendo uma atribuição maior e um esquema mais focado nas suas habilidades já existentes. Mas ainda assim, a forma como Jokic cresceu e expandiu seu jogo dentro do que já fazia esse ano foi espetacular, e cada passe sem olhar nas costas da defesa foi um dos pontos altos da temporada. Mesmo que as habilidades sejam as mesmas, o nível delas sendo posto em prática é muito maior, e fazer isso mantendo a eficiência merece sua indicação ao prêmio.

Já um nome muito menos falado, mas mais merecedor, é Rudy Gobert. Gobert sempre foi conhecido por sua fantástica defesa, graças à sua enorme envergadura, mas seu desafio sempre foi conseguir fazer o suficiente no resto do jogo para justificar os minutos e o espaço em quadra. E foi o que fez essa temporada: Gobert sempre foi um jogador feroz e atlético cortando para a cesta, mas parece muito mais confortável do que nunca nessa função. O francês desenvolveu uma série de movimentos para se reposicionar ou melhorar o timing dos arremessos quando recebe a bola, e está muito mais inteligente na hora de saber quando fazer um corte mais curto, e quando cortar com força para receber um lobby. Sua média subiu para 14 pontos por jogo, de longe a maior marca da carreira, e está arremessando 66.6%. E como se não fosse suficiente, Gobert está ainda melhor defensivamente essa temporada... mas falamos disso daqui a pouco. Como o forte de Gobert sempre será sua defesa, acabamos notando menos as evoluções que fez no resto do seu jogo, mas essa evolução foi o que transformou Gobert de um ótimo defensor em um dos melhores - talvez O melhor - pivô da NBA. Aliás, vale citar que Gobert é #2 na NBA INTEIRA em Win Shares. Isso me parece significante.

Mas eu não consigo não dar esse prêmio para Giannis Antetokounmpo. Apesar da pouca idade de Giannis, o salto de "bom jogador" para "estrela" é o mais difícil de fazer, e é exatamente o que ele fez: Giannis está dominando jogos rotineiramente, e mais do que nunca o grego capitalizou na sua versatilidade pra se tornar o unicórnio mais versátil e dominante da NBA. E não só ofensivamente, onde Giannis agora rotineiramente tem jogos de 25 pontos e funciona quase como armador, mas principalmente sua enorme evolução defensiva foi o que destravou uma nova dimensão para todo o time do Bucks: Antetokounmpo tem média de 1.9 tocos e 1.7 roubos por jogo, mas mais importante, Giannis é o QUINTO melhor jogador da NBA protegendo o aro, segurando oponentes a 46.3 FG% perto do aro. O grego se tornou essa temporada o primeiro da história a ficar entre os 20 melhores jogadores da temporada em pontos, rebotes, assistências, roubos E tocos. Isso é surreal.

Quantos jogadores são capazes de funcionar como protetor de aro na defesa E armador principal no ataque? Sua capacidade de fazer qualquer função ofensiva E defensiva fazem dele um legítimo coringa, capaz de destravar qualquer lineup para Milwaukee e funcionando como um missmatch ambulante dos dois lados da quadra. E não é como se o valor de Giannis viesse só de sua versatilidade: ele é um dos pontuadores mais dominantes da NBA, com média de 23 ppg em 52.2 FG%, além de 5.4 de assistências por jogo. E acima de qualquer outra, a evolução absurda de Giannis em 2017 como um dos 12 melhores jogadores da NBA é a que mais pode afetar o balanço de poder da liga nos próximos anos.

(Minhas mais sinceras desculpas a Isaiah Thomas, que eu decidi por não incluir na votação simplesmente porque não acho que ele esteja fazendo nada de muito diferente do de sempre, exceto a parte de acertar sempre. Um dos momentos mais difíceis da coluna)

Ballot final: 1. Giannis Antetokounmpo; 2. Rudy Gobert; 3. Harrison Barnes; 4. Nikola Jokic; 5. James Johnson.


Coach of the Year





Para quem não conhece, a minha postura sobre esse prêmio é a seguinte: Greg Popovich é o melhor técnico da (história da) NBA e deveria ganhar esse prêmio todo ano. Simples assim. Então, por esse motivo, eu NÃO coloco Popovich no meu ballot anual, para dar mais debate e graça para o prêmio. Ele é o vencedor honorário, e esse ano não é diferente: o que fez para remontar seu time sem Duncan, transformando o elenco e o banco, transformando David Lee em um bom defensor, e mantendo seu time como o segundo melhor da NBA foi digno das lendas... e é só mais um dia no escritório para Popovich.

Então isso posto, a disputa desse ano de CoY me parece estar aberta entre dois nomes: Eric Spolestra e Mike D'Anthony.

Se for para dar um palpite, eu acho que D'Anthony vai ganhar. Ele é a história "sexy" do ano, o técnico rejeitado que foi piada ao redor de toda a NBA quando foi contratado e levou o desacreditado Rockets a um terceiro lugar no fortíssimo Oeste, bem como o segundo melhor ataque da liga. Esse é o tipo de coisa que acabamos esquecendo ao longo de uma temporada bem sucedida, mas a offseason do Rockets foi ridicularizada ao redor da NBA: a projeção de Vegas para o time era de vencer 41 jogos, e todo mundo deu risada do absurdo que parecia na época juntar Mike D'Anthony com James Harden e seus vines defensivos, mais as contratações de Eric Gordon e Ryan Anderson. A defesa desse time, a narrativa dizia, seria uma piada que impediria o time de ser competitivo.

Engraçado como as coisas mudam, não é mesmo? Hoje em dia todo mundo fala do ótimo encaixe que foi Harden e suas habilidades sobrenaturais de criação com o esquema aberto e veloz de D'Anthony, sobre o "ótimo" elenco de apoio do Rockets, e por ai vai... sendo que foram as mesmas coisas que todo mundo criticou seis meses atrás.

E D'Anthony tem bastante mérito nessa mudança. Seu Rockets sem nenhum All-Star ao redor de James Harden ainda não tem uma boa defesa, só 17th na NBA, mas sem dúvida já é muito melhor do que esperavam, e mais do que suficiente para se vencer se associado a um ataque devastador... o que o Rockets tem de sobra. Tirando apenas a Máquina da Morte que é o ataque de Golden State (surreais 113.3 pontos por 100 posses de bola), Houston tem o melhor ataque da NBA (111.7) e terminará a temporada com a terceira melhor campanha da liga. E isso aconteceu principalmente porque cada uma das peças falhadas que compunham esse elenco foram colocadas no lugar certo, na hora certa, para fazer o time como um todo funcionar. E, talvez ainda mais importante, seu gênio ofensivo foi exatamente o que o time precisava para enfim liberar todo o enorme potencial de James Harden, alguém que não só é um gênio em termos individuais como é alguém que torna todos os seus companheiros melhores em quadra. Existe um equilíbrio difícil entre maximizar o jogador e maximizar o elenco, mas o Rockets encontrou muito bem esse balanço em 2017, e D'Anthony merece os créditos.

Mas com todo o respeito ao ótimo trabalho de D'Anthony, o meu voto vai para Spolestra porque eu acho que o que ele fez em Miami é o mais "puro" que se pode chegar que coloca em evidência o trabalho de um grande técnico. Não existe um sistema, não existe uma estrela: Spolestra simplesmente pegou um elenco muito fraco, com peças muito díspares e que não apresentavam nenhum tipo de coesão, e fez um trabalho absolutamente fantástico em montar uma forma de jogar que encaixa todas essas peças no lugar certo, colocando cada jogador em posição de maximizar suas forças e minimizar suas fraquezas, e montou esse complicadíssimo quebra cabeça em um time coeso e eficiente que está buscando uma das maiores reviravoltas dentro de uma mesma temporada que eu lembro de ter visto.

Mesmo depois de perder Justise Winslow, as coisas encaixaram em Miami: Dragic voltou a jogar em nível All-NBA, Dion Waiters pareceu uma estrela as vezes, James Johnson (que ainda não apareceu pela última vez nessa coluna) e Wayne Ellington estão jogando o melhor nível de basquete da vida, Tyler Johnson de repente não tem um contrato tão absurdo assim... existe simplesmente um número enorme de coisas dando certo para Miami, onde deveriam estar dando errado. O time pode não chegar aos playoffs por conta de um começo ruim e da lesão de Waiters, mas é muito raro ver um time com tão pouco talento jogando tão bem e colocando tanto medo no resto da NBA dessa maneira, um testamento ao trabalho de um dos melhores e mais subestimados técnicos da NBA.

Também queria deixar uma menção honrosa para Scott Brooks, muito criticado em Oklahoma City mas que deu vida nova a John Wall e o Wizards fazendo o que faz de melhor: desenvolver jogadores. Bradley Beal está jogando melhor do que nunca e merecia consideração séria para ser um All-Star, Otto Porter enfim se desenvolveu em um jogador completo e com um dos arremessadores mais certeiros da NBA de bônus, Kelly Oubre virou um jogador muito versátil e valioso... e claro, John Wall saltou um nível e estaria na conversa para MVP se essa temporada não tivesse quatro aliens disputando. E quando você pensa a respeito, para um time sem grandes ativos ou espaço salarial, a forma de evoluir é através da evolução dos talentos jovens que já estão no elenco. Foi o que aconteceu com Washington, e embora parte possa ser só o efeito de substituir um técnico péssimo, Scott Brooks merece mutos créditos pela ótima temporada do Wizards.

Ballot final: 1. Eric Spolestra; 2. Mike D'Anthony; 3. Scott Brooks; 4. Brad Stevens; 5. Quin Snyder.
Coach of the Year Emérito: Greg Popovich.


6th Man of the Year





Outro prêmio que eu não gosto por causa do critério utilizado pelos votantes. Em geral, esse prêmio é dado para aquele jogador que vem do banco e anota o maior número de pontos, como ilustrado pelo fato do Jamal Crawford ter vencido esse prêmio três vezes. Eu acho um critério muito pobre: claro que existe valor em alguém para pontuar vindo do banco quando seus titulares estão descansando, mas existe muito mais coisas que um 6th Man pode fazer e que acabam esquecidas por quem vota nesse prêmio. Existe muito valor em ter, por exemplo, um sexto homem capaz de jogar em mais de uma posição e mais de um estilo de jogo, porque isso oferece bastante flexibilidade sobre com quem ele vai jogar, e permite mais opções ao técnico. Sua capacidade de encaixar com os titulares para gerar lineups ainda melhores, ao invés de só jogar com os reservas. Ou talvez ele tenha alguma qualidade específica que seja crucial para destravar alguma característica que o time precisa, como por exemplo James Johnson (três vezes!) esse ano com sua capacidade de jogar quase de armador no ataque e de pivô na defesa.

Para mim, pessoalmente, é isso que faz os melhores sextos homens da NBA: jogadores cuja sua função vinda do banco não é apenas manter o time flutuando sem os titulares, mas transforma a própria forma do time jogar, funcionando como um sexto titular de fato, alguém integral à identidade e ao sistema da própria equipe. Mas jogadores assim são raros, e a exceção à regra. A grande maioria dos bons reservas são reservas por um motivo. Mesmo com times ficando cada vez mais inteligentes e atento ao encaixe entre seus jogadores, o que deixa mais bons jogadores vindo do banco, ainda não é comum ver aqueles reservas tipo Manu Ginobili que estão no banco porque sua presença lá abre uma nova dimensão inteiramente diferente para a equipe.

Mas também é por esse motivo que meu voto vai para Andre Iguodala. Iggy não seria titular no Warriors de qualquer maneira por causa da presença de Kevin Durant, mas de certa forma, ele é a personificação de tudo que faz do Warriors tão bom: sua capacidade de jogar múltiplas posições , que permite qualquer tipo de lineup; sua versatilidade defensiva e capacidade de trocar marcações, núcleo da defesa #2 do Warriors; seu altíssimo QI de basquete e habilidade de passar a bola tomando boas decisões; e o fato de ser um jogador extremamente coletivo e que não liga a mínima para estatísticas. Sua presença em quadra destrava a possibilidade do Warriors jogar qualquer estilo e com qualquer formação, e muitas vezes é a entrada de Iggy que injeta a energia e vontade que as vezes falta a Golden State.

E em particular foi sua atuação após a lesão de Durant que garantiu esse prêmio para mim. Não só Iggy não entrou na formação titular do time - o que seria o movimento óbvio - como foi quando Iguodala elevou seu jogo um novo nível, retomou o auge da sua intensidade defensiva, e foi um monstro fazendo tudo o que o Warriors precisava, quando precisava, e assumindo os bastidores quando não era mais necessário. Iggy é peça crucial da identidade e do estilo de jogo do melhor time da NBA, e isso vale alguma coisa para mim. Embora não atrapalhe que Iguodala lidere todos os candidatos ao prêmio em Win Shares, com 6.9.

Aliás, junto dos meus votos a esse prêmio deixo minhas melhores desculpas aos reservas do Spurs, que infelizmente ficaram de fora do Top5. O banco de San Antonio é o melhor da NBA e chave para seu sucesso, mas é difícil demais escolher um jogador mais importante em meio a um grupo cujo sucesso depende da coletividade. Então entre David Lee, Dewayne Dedmon, Manu e Patty Mills, eu simplesmente não achei que um deles deveria entrar acima de outros candidatos ao prêmio, mas fica o registro da força desse coletivo.

Por fim, minha decisão final ficou entre 5 jogadores para as últimas 4 vagas: Tyler Johnson (14-4-3, 37 3PT% para Miami), James Johnson (já citado), Enes Kanter (14-7, 57 FG% e um papel crucial em OKC mesmo jogando um pouco fora do seu estilo), Greg Monroe (mais daqui a pouco) e Lou Williams (18-3-2). Eu acabei deixando Lou Will de fora por dois motivos simples: seus números são ótimos, mas isso foi principalmente como foco do ataque de um time péssimo (Lakers) - ao contrário dos outros, que tiveram que fazer sua contribuição de forma muito mais balanceada para times que dependiam disso para brigar por playoffs - bem como sua queda de produção desde a troca para Houston. Não foi uma decisão fácil.

Queria também aproveitar para destacar Greg Monroe pela reviravolta que foi sua temporada, mudando totalmente sua performance defensiva para se tornar um jogador mais balanceado e fundamental para a temporada do Bucks. Seus passes são ótimos, sua defesa melhorou muito, ele ainda é alguém capaz de cavar alguns pontos quando o ataque fica estagnado, e não é a toa que as melhores lineups do Bucks esse ano tem Monroe envolvido.

Com minhas melhores desculpas a Williams, Zach Randolph, Eric Gordon, Kelly Oubre e o banco inteiro do Spurs.

Ballot final: 1. Andre Iguodala; 2. Greg Monroe; 3. James Johnson; 4. Tyler Johnson; 5. Enes Kanter.


Rookie of the Year




Esse não foi um bom ano para os calouros da classe 2016 da NBA. Na verdade, em termos de produção imediata, foi a pior produção de uma classe de calouros desde a 2000, amplamente considerada uma das piores (talvez A pior) classe de Draft da história da NBA. Isso não quer dizer, é claro, que a classe seja ruim, não tenha futuro, ou esteja fadada ao fracasso. Um ano é pouquíssimo para julgar algo assim, e muito ainda vai acontecer daqui para frente. É sempre importante lembrar de ter paciência. Não vamos poder realmente julgar o que essa classe de calouros foi até daqui a pelo menos três anos.

Isso posto, HOLY CRAP, esse primeiro ano foi péssimo. A primeira escolha do Draft, Ben Simmons, não jogou um minuto sequer e perdeu a temporada com uma lesão no pé, em meio a mais um show de incompetência dos médicos e da nova diretoria da Philadelphia. Brandon Ingram, a #2, tinha literalmente o pior WS da NBA inteira até semana passada. Dragan Bender, #4, teve média de 13 minutos por jogo antes de perder o resto da temporada com uma lesão no pé. O #5, Kris Dunn, um calouro de 23 anos, teve média de 3.7 pontos por jogo, arremessando 37.7% de quadra e 29.6% de 3PTs. Você entendeu a ideia.

O melhor calouro dessa classe em 2016 foi, adequadamente, Malcolm Brogdon, uma escolha de segunda rodada (#36 geral). Brogdon já tem 24 anos, então seu potencial não é muito grande, mas o que ele já tem no momento é mais do que suficiente para fazer dele um bom jogador de NBA. O jogo de Brogdon não é chamativo ou particularmente explosivo - embora suas belas cravadas sobre LeBron e Kyrie não tenham sido nada más - mas ele é extremamente valioso por causa de duas coisas: ele faz tudo bem, e ele não faz nada mal.

Parece besteira, mas no basquete de hoje isso é mais valioso do que se pensa: ofensiva e defensivamente, o foco dos times é atacar qualquer fraqueza ou ponto vulnerável do adversário, e jogadores que não oferecem isso são extremamente valiosos na NBA moderna. Essa capacidade de fazer tudo também permite a Brogdon jogar em várias posições e em qualquer função: armar o time, jogar sem a bola quando Giannis está de armador, defender armadores, defender alas, espaçar a quadra... Brogdon faz tudo, e seu altíssimo QI de basquete faz com que ele sempre tome a decisão certa na hora certa. É o tipo de jogador que faz o time melhor, e todo mundo precisa na NBA moderna. Alguém capaz de armar o jogo até certo ponto, chutar 40% de três, defender em alto nível e não ter nenhum defeito no seu jogo é muito valioso, e é o que faz Brogdon liderar a NBA com folga entre calouros em Win Shares (4.1).

Mas essa falta de bons jogadores da classe de 2016 acabou sendo ao mesmo tempo aumentada e ofuscada por causa de dois calouros que não eram desse Draft: Joel Embiid e Dario Saric, ambos escolhidos em 2014 por Sam Hinkie e que só foram estrear na NBA esse ano.

Acho que antes de mais nada podemos concordar que Joel Embiid foi DE LONGE o melhor jogador dessa classe de calouros quando esteve em quadra. Esqueça calouro: Embiid foi um dos melhores JOGADORES da NBA em um nível por-minutos, com médias de 29-11-3 e 3.5 tocos por 36 minutos. Além de ser um monstro ofensivamente, uma combinação de atleticismo explosivo, habilidade para finalizar, ótimo domínio de bola e alcance de 25-ft, Embiid também foi um dos defensores mais dominantes da temporada, liderando toda a NBA em proteção de aro - adversários chutaram 41% perto do aro contra Embiid, 2.5 pontos melhor que o segundo lugar - e transformando o Sixers na MELHOR defesa da NBA nos minutos que esteve em quadra: o time teve 99.1 de  Defensive Rating com Embiid em quadra. San Antonio lidera a NBA com 100.9. O Sixers alias teve +3.2 de saldo por 100 posses de bola com Embiid em quadra, equivalente à 7th melhor marca de toda a NBA.

Então Embiid como jogador esteve em outra estratosfera em relação ao resto da NBA, e se ficar saudável, será um dos jogadores mais dominantes da liga e que pode mudar o jogo. Mas não é o caso ainda: Embiid jogou apenas 31 jogos, com minutos restritos em todos eles, totalizando 768 minutos em quadra apenas. Eu não consigo dar o prêmio para alguém que jogou tão pouco... mas ao mesmo tempo não consigo deixar Embiid abaixo de ninguém na minha lista, porque ninguém chega nem perto dele (nas palavras do grande Tim Bontemps, "Ou Embiid não é elegível, ou o prêmio é dele"). Então optei por deixar o camaronês de fora do meu ballot e dar para ele o prêmio de ROY Moral de 2017. Me processem.

O outro calouro de 2014 desse ano foi Dario Saric, um dos jogadores que eu mais gostei de assistir na reta final dessa temporada. O croata é um ala de 2 metros e 8 que tem um ritmo próprio, pode jogar de armador, e da alguns dos passes mais legais da NBA. Saric começou o ano devagar e teve seus altos e baixos, não sendo dos jogadores mais consistentes e sofrendo um pouco com sua adaptação à NBA, mas desde que Embiid machucou e Saric recebeu as chaves do carro, o croata tem mostrado todo seu repertório e produzido em altíssimo nível: entre 08/02 e 24/03, Saric teve média de 20 pontos, 8 rebotes, 3.5 assistências e arremessou 48% de quadra e 33% de 3PTs em 21 jogos. Esses pontos são arbitrários na temporada, claro, mas mostram um pouco do potencial enorme de Saric. Jogadores com sua combinação de altura, passe, arremesso e QI de basquete são raros - e valiosos.

Então a decisão final acabou sendo entre Saric e Brogdon. Ao longo da temporada, os números dos dois não chamam tanto a atenção: 10-3-4 com 46-40-86 arremessando para Brogdon; 13-2-6 com 41-31-78 para Saric. Saric produziu mais, mas Brogdon foi mais eficiente e é um defensor melhor. Brogdon foi mais consistente ao longo do ano, mas por outro lado não teve um período de dominância como Saric teve naqueles 21 jogos.

No final, a decisão se resumiu ao seguinte: eu acredito que Saric tem um potencial maior, consegue atingir um nível maior, e é o que 90% dos times escolheriam o croata se pudessem escolher um dos dois para seu futuro... mas fazer o que Brogdon fez em um time que briga pelos playoffs e foi dado como morto em diferentes momentos da temporada com as lesões de Middleton e Jabari Parker é especial. Brogdon encaixou de forma muito impressionante nesse time, e sua capacidade de fazer um pouco de tudo e se adaptar a qualquer função foi um fator fundamental para consolidar um elenco talentoso, mas com partes que não se encaixam da forma mais limpa dentro de quadra. Ele pode espaçar a quadra, lidar com a bola, defender... e mais importante, ele pode fazer cada uma dessas coisas quando o time mais precisa de cada uma delas. Fazer o que Brogdon fez em um time que briga por playoffs, se adaptar e tirar ao máximo de suas oportunidades, e mais importante ainda, ser parte fundamental desse crescimento e desse sucesso, é o que fez dele meu calouro do ano.

Ballot final: 1. Malcolm Brogdon; 2. Dario Saric; 3. Jaylen Brown; 4. Jamal Murray; 5. Buddy Hield.
Rookie of the Year Moral: Joel Embiid.


Defensive Player of the Year




Não vou mentir: eu tive Rudy Gobert como meu voto nesse prêmio durante a maior parte do ano. Em um momento onde a NBA está valorizando (e sabendo como medir) cada vez mais proteção de aro, Gobert reina supremo como o rei desse quesito, de longe o melhor protetor de aro da NBA. Com suas gigantescas proporções, surpreendente agilidade e ótimo posicionamento, Gobert contesta mais arremessos perto do aro do que qualquer outro jogador da liga (10.3 por jogo) e segura os adversários a 43,3% nesses arremessos, a segunda maior marca da liga entre jogadores qualificados - e isso sem contar os incontáveis arremessos que Gobert altera antes mesmo de chegarem no garrafão, de jogadores que não querem ter que enfrentar o francês e seus braços gigantes.

Mas duas coisas colocaram Gobert um nível acima defensivamente esse ano, o centro de uma das melhores defesas da NBA. O primeiro foi sua evolução defendendo lances mais longe do aro - sua especialidade - em especial pick and rolls. Com sua agilidade e envergadura, Gobert é capaz de marcar o pick and roll cobrindo os dois jogadores envolvidos, com o ballhandler sabendo que se atacar a cesta vai ter que lidar com os braços gigantes do francês, e ao mesmo tempo usando essa envergadura para cobrir uma linha de passe para o pivô que corre para a cesta. Em outras palavras, Gobert consegue defender o pick and roll praticamente sozinho, sem precisar de ajuda, o que faz dele imensamente valioso em uma liga que vive praticamente dessas duas coisas para iniciar seus ataques: atacar a cesta, e pick and roll.

A segunda coisa é o que foi dito na parte sobre MIP: Gobert melhorou muito seu jogo em outras áreas além da defesa, se tornando especialmente um sólido jogador ofensivo. Isso pode parecer que não influencia no prêmio de melhor defensor, mas indiretamente, existe um efeito: como Gobert faz mais coisas e não tem mais alguns problemas, o técnico pode usá-lo mais tempo em quadra e especialmente em situações de fim de jogo, o que significa mais minutos, mais responsabilidades, e mais oportunidades para Gobert colocar sua defesa em uso - e por sua vez, mais impacto defensivo total (recomendo fortemente esse vídeo do ótimo Mike Prada para quem quer um exemplo visual do que eu falei sobre Gobert).

Mas na reta final da temporada, nos últimos 20 jogos, o jogador que estava logo atrás de Gobert durante todo o ano na minha lista de defensores assumiu o primeiro lugar. E não é que Draymond Green não estivesse jogando excepcional defesa durante todo o ano - afinal, ele ERA o #2 da lista - mas depois da lesão de Durant, Green teve a chance de mostrar os limites da sua capacidade defensiva, e o que ele fez no período foi realmente fantástico.

O Warriors, apesar das críticas que sofreu ao longo do ano, tem a segunda melhor defesa da NBA na temporada, atrás apenas do eterno Spurs. E o que é mais impressionante dessa defesa, e foi um ponto interessante ao longo de todo o ano, foi sua capacidade de proteger o aro mesmo jogando com um pivô em Zaza Pachulia que não é bom nessa função e foi uma grande piora no quesito em relação a Andrew Bogut. Durante boa parte do ano, Golden State superou esse problema graças a seus dois melhores defensores: Green e Kevin Durant, que combinaram para uma proteção de aro fora do padrão, mas igualmente eficiente. Mas quando Durant se machucou, com a sua ausência e a falta de um substituto à altura dos seus braços gigantes, todo mundo esperava que a defesa de Golden State, mais do que o ataque, fosse a grande prejudicada por essa lesão.

Mas isso não aconteceu, e o principal motivo disso foi que Draymond Green aumentou sua defesa ainda mais um nível e compensou a ausência de KD. E isso acontece por um motivo simples: você não pode finalizar perto do aro, se você não chegar até o aro. E não existe hoje um jogador melhor fazendo essa contenção do que Draymond: se Kawhi Leonard é o defensor mano-a-mano mais dominante da NBA, Green é o mais versátil, capaz de marcar o maior número diferentes de jogadores e cumprir mais funções defensivas... e mais importante, Dray é capaz de mudar de forma absolutamente perfeita de função e marcador durante cada jogada, sabendo a hora de trocar, sabendo a hora de ir para a ajuda na defesa só para dar um toco ou para assumir um novo marcador. Durante uma mesma posse de bola, Draymond Green vai defender um pivô no garrafão, trocar em um armador durante um pick and roll, mudar para um ala para aliviar o missmatch, defender o ataque deste à cesta, e acabar a posse com um roubo de bola. É impressionante.

Essa versatilidade e capacidade de fazer tudo em altíssimo nível do lado defensivo é a base da ótima defesa de Golden State, uma máquina de trocar a marcação de altíssimo QI de basquete que é possível graças a essa versatilidade, intensidade, e dominação de Green. E quando Durant foi para a lista dos machucados, Green fez de sua missão pessoal manter a defesa no mesmo nível, e foi o que ele fez, destruindo no processo alguns dos maiores candidatos a MVP do ano como Westbrook, Kawhi e Harden (2x). Esse nível superior, para mim, foi o que definiu meu voto a favor do ala do Warriors.

E embora seja estranho ver Kawhi entrando em terceiro em um prêmio que ele ganhou dois anos seguidos, a impressão que eu tive é que Leonard teve uma ligeira queda desse lado da quadra esse ano - em parte pelo aumento de responsabilidades ofensivas, em parte porque times estão mais espertos em como diminuir seu impacto defensivo - mas ainda é um monstro e não deve nada a ninguém defensivamente. Ele ainda é um dos melhores defensores da liga, se não da história da NBA.

Já Andre Robertson é mais um dos muito subestimados jogadores de Oklahoma City, mas que teve uma ótima atuação e é um pilar central em uma defesa que tem discretamente jogado muito bem. E por fim, Giannis é um caso engraçado: o grego ainda tem seus problemas defensivos e não é tão dominante no mano a mano como outros jogadores, mas sua enorme versatilidade, capacidade de proteger o aro em altíssimo nível E marcar 5 posições faz dele um dos defensores de maior impacto da liga. Então Giannis talvez não seja um dos 5 melhores defensores da NBA, mas é difícil encontrar 5 jogadores que tiveram maior impacto defensivo na temporada. Faz sentido?

Ballot final: 1. Draymond Green; 2. Rudy Gobert; 3. Kawhi Leonard; 4. Andre Roberson; 5. Giannis Antetokounmpo.


Most Valuable Player


É isso ai. Chegamos no grande momento. MVP - o jogador mais valioso da temporada.

Na história da NBA, já tivemos discussões de MVP extremamente acirradas (87' e 93' vem à mente), mas desde que comecei a assistir basquete eu não lembro de ter visto nada igual a esse ano, tanto no nível dos competidores pelo prêmio, no nível de paridade entre as principais escolhas, e no nível de polarização que o debate assumiu. Todo mundo parece ter seu candidato, e passa um enorme volume de tempo discutindo por que esse jogador merece ser o MVP - ou, muito pior, discutindo porque os outros NÃO podem ser o MVP.

E acho que a coisa MAIS importante sobre a disputa pelo MVP de 2016/17 que você pode saber, e que eu me sinto na obrigação de escrever, é essa (vou até colocar em negrito e itálico para ajudar):

NÃO EXISTE SÓ UM JOGADOR MERECEDOR DO PRÊMIO ESSE ANO!

Recentemente, especialmente nas redes sociais, eu vejo uma quantidade ENORME de pessoas falando que "Não existe outra escolha válida pro MVP a não ser X", ou "Se qualquer um além do jogador Y ganhar vai ser um absurdo"... e isso é ridículo. Essa temporada tem não um, não dois, mas QUATRO jogadores tendo temporadas históricas, cada um no seu próprio mérito, e existe um argumento muito forte a ser feito para cada um deles ganhar o prêmio: Russell Westbrook, James Harden, LeBron James e Kawhi Leonard. Se qualquer um deles ganhar terá feito por merecer e será muito válido, e embora podemos sempre escolher por um deles (eu fiz minha escolha para essa coluna), a pior coisa que podemos fazer é falar ou deixar alguém nos convencer de que só existe uma escolha possível para o prêmio.

Isto posto, vamos ao que interessa: quem é minha escolha para o MVP de 2017?

Nos círculos de debate, os grandes favoritos são Westbrook e Harden, com o armador de Oklahoma City parecendo levar uma certa vantagem. O que, aliás, levou àquele que ao meu ver é o pior argumento dessa corrida: o de que Westbrook merece ganhar o prêmio porque tem média de triple double. Hmm... e dai? A marca de Westbrook é muito divertida, sem dúvida, como qualquer recorde, mas triplos duplos não significam absolutamente nada de concreto - é uma marca arbitrária criada pelo departamento de marketing do Lakers nos anos 80 para exaltar algo que Magic Johnson fazia com frequência no começo de sua carreira. Por mais que seja divertido acompanhar TDs e torcer pela média de West, não existe nada de real que diga que uma média de TD seja mais valiosa do que qualquer outra. E se o argumento for "Westbrook fez algo que ninguém fazia desde os anos 60", pois bem, nenhum outro jogador na história da NBA teve os números que Harden teve esse ano. Ou LeBron. Ou Giannis. Por que devemos valorizar mais os números de Westbrook só por eles atingirem um parâmetro arbitrário mais famoso? Não podemos confundir isso com uma análise real.

E isso é uma pena, porque existe um EXCELENTE caso a ser feito para Russ sem precisar usar esse ponto arbitrário. Deixando de lado o fato dos seus números formarem um triplo duplo ou não, Russel É o líder da NBA com quase 32 pontos por jogo, é terceiro em assistências com 10.4 por jogo, E décimo em rebotes com 10.7 por jogo. Westbrook está tendo que segurar uma carga de trabalho imensa (West tem a maior USG%, que mede quantas posses de bola do time o jogador finaliza através de arremesso, turnover ou falta cavada, da história da NBA) e não desacelerou um minuto sequer, jogando todos os jogos em quinta marcha e ainda sobrando gasolina no tanque para os jogos apertados, um dos feitos atléticos mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Russ também foi o jogador mais devastador da liga essa temporada nos finais de jogos, mesmo que fazendo isso principalmente contra times mais fracos, e não foram poucos os jogos que ele decidiu no final por conta própria. E talvez mais importante de tudo, Westbrook manteve o Thunder relevante e nos playoffs mesmo depois da equipe ter perdido um dos 3 melhores jogadores da liga essa offseason.

Do outro lado, James Harden não tem o apelo do triplo duplo de Westbrook, mas seu caso estatístico não é muito mais fraco. Harden está com médias de 29.1 pontos, 11.2 assistências e 8.1 rebotes enquanto manteve sua impressionante eficiência. Sabe quando foi que um jogador da história da NBA teve 29 pontos, 11 assistências e mais de 50% de eFG%? Nunca. Harden é o primeiro. E faz isso do jeito de sempre: cavando uma tonelada de faltas (lidera a NBA em lances livres), moldando seu jogo em um estilo de arremessos muito eficiente (focando seus arremessos perto do aro e na linha de três), manipulando defesas e encontrando passes que apenas outros três ou quatro jogadores no mundo seriam capazes de enxergar e executar.

Além disso, Harden tem uma vantagem quando se trata da performance coletiva. Se a temporada histórica de Westbrook rendeu a Oklahoma City a décima melhor campanha e o 17th melhor ataque da NBA, Harden levou o Rockets à terceira melhor campanha e segundo melhor ataque da liga (e um dos melhores da história da NBA), o que é significativo considerando que antes da temporada muita gente tinha dado o time por morto, e as projeções tinham Houston vencendo apenas 41 jogos esse ano - e isso tudo tendo a terceira maior USG% da temporada.

Então é inegável que as temporadas de Harden e Westbrook renderam o maior foco, e merecidamente. Mas esse foco parece ter desviado a atenção de outras temporadas, igualmente históricas, e que não encontram espaço suficiente nas discussões para serem devidamente valorizadas.

Tomemos LeBron James, por exemplo, alguém que é amplamente considerado o melhor jogador da NBA. Tudo que LeBron fez esse ano foi ter médias de 26.4 pontos, 8.7 assistências e 8.6 rebotes enquanto foi o foco de tudo que o Cavs fez nos dois lados da quadra, um mestre em manipular a quadra e cobrir as fraquezas de todos seus companheiros, enquanto maximiza suas forças. E se isso não parece tão impressionante quanto a produção de West e Harden, vale citar que LeBron é um jogador muito mais eficiente: o King James está arremessando 54% de quadra, 36.3% de 3 pontos e tem eFG% de 59.3, enquanto que Russ tem 42.6 FG%, 34.4 3PT% e 47.7 eFG% e Harden tem 43.8 FG%, 34.5 3PT% e 52.3 eFG%. E para tudo que se fala sobre LeBron ter os melhores companheiros, a verdade é que o time do Cavs despenca sem ele em quadra: +7.7 de Net Rating com ele em quadra, e -8.6 com ele fora (um dado que precisa ser levado com um grão de sal, mas ainda é impressionante). É um absurdo que LeBron esteja tendo uma temporada dessas e esteja atraindo zero respeito como possível MVP.

E é claro, existe um outro ponto a ser considerado e que sempre acaba ficando esquecido quando avaliamos jogadores. No basquete, existe DUAS funções: anotar pontos, e impedir que o outro time faça o mesmo. Ainda assim, nós quase nunca trazemos a defesa à tona quando discutimos o prêmio de MVP ou quem é o melhor jogador, em parte por defesa ser muito mais difícil de se medir ou avaliar.

E se você não me ouviu falar de defesa antes nessa seção do texto, é por um motivo simples: nenhum desses três jogadores citados realmente trouxe algo para a mesa desse lado da bola na temporada. A defesa deles vai desde "irregular" (LeBron) a "consideravelmente abaixo da média" (Westbrook), e suas contribuições se dão - ou se deram, porque sabemos que LeBron é capaz de defender em alto nível quando engajado - no lado ofensivo da quadra. Mas defesa ainda é metade do jogo, e é ai que entra o caso de Kawhi Leonard.

Nenhum dos candidatos a MVP desse ano consegue chegar remotamente perto do impacto defensivo que Leonard tem. O atual bicampeão do prêmio de defensor da temporada é, simplesmente, um dos melhores defensores de perímetro da história da NBA, um pesadelo ambulante capaz de destruir até mesmo os melhores jogadores ofensivos da liga, e é um dos 3 melhores defensores da temporada. Para toda a dominação ofensiva de LeBron, West e Harden, Leonard entrega o mesmo tipo de produção do outro lado.

E não é como se Leonard fosse um jogador defensivo sem jogo no ataque: Leonard tem média de 25.7 pontos por jogo, o sétimo maior USG% da NBA, e é um jogador hipereficiente em todos os tipos diferentes de jogada no ataque, seja conduzindo a bola, seja no pick and roll, seja cortando para a cesta, seja pegando e arremessando... você decide. A linha de Leonard é um excelente 48.6-38-88 com 54.3 eFG%, e essa capacidade de arremessar de forma eficiente em qualquer tipo de jogada é o fato em torno do qual é montado todo o ataque do Spurs, atualmente #7 da NBA. Leonard é um excelente jogador ofensivo.

E na verdade, se fosse escolher quem foi o MELHOR jogador da temporada 2017 da NBA, esse foi provavelmente Kawhi Leonard. Kawhi não tem a produção ofensiva dos demais por não ser tanto um iniciador de jogadas que cria para os companheiros (3.8 assistências por jogo apenas), mas também não está tão distante assim com sua combinação de volume, eficiência, pontuação e versatilidade ofensiva, a ponto de ser um dos 8, 10 melhores jogadores de ataque da temporada... e sua defesa não tem nem comparação com nenhum dos outros três jogadores, estando em um nível completamente superior. E quando juntamos sua contribuição ofensiva (Top10) com sua contribuição defensiva (Top3), nenhum outro jogador da NBA conseguiu ser tão dominante em termos totais: nem Westbrook, nem LeBron, nem James Harden. E Leonard merece crédito de sobra por ser o pilar em torno do qual está montado o ataque E a defesa do segundo melhor time da NBA, que ostenta o sétimo melhor ataque E a melhor defesa da competição.

Mas quanto mais eu esmiuçava, estudava e pensava para tentar decidir qual seria meu voto, mais eu voltava para duas palavras: Mais valioso.  É algo totalmente subjetivo, e a NBA propositalmente não vai nunca esclarecer o que significa para incentivar mais debates e discussões... mas ainda assim, não é o prêmio do melhor jogador. É o prêmio do jogador mais valioso, e foi para esse critério que eu acabava voltando. É, como eu disse, uma questão de CRITÉRIO acima de tudo, mas foi para essa direção que eu acabei seguindo na hora de tomar a minha decisão.

Então por mais que Cleveland e San Antonio sejam totalmente montados em torno de LeBron e Kawhi, respectivamente, nenhum deles é tão profundamente dependente de sua estrela quanto Thunder e Rockets. Leonard e LeBron são ambos o pilar em torno do qual seu time é montado, com sua excelência, versatilidade e consistência, mas esses times podem por vezes se manter com "apenas" boas performances complementares desses jogadores, fazendo o time funcionar sem precisar assumir o protagonismo... enquanto que Rockets e Thunder dependiam mais profundamente não só do jogo de Harden e Westbrook, mas da dominação desses jogadores para fazer seus times funcionar. Então na minha busca pelo MVP da temporada, eu acabei restringindo a discussão aos mesmos dois jogadores que começaram a conversa: Westbrook e Harden.

E boa sorte tentando decidir entre os dois! É extremamente difícil separar esses dois grandes craques em duas temporadas tão históricas. Ambos tiveram papeis absurdamente importantes para seus times, e tiveram temporadas estatisticamente históricas. Westbrook teve a maior produção entre os dois, por pouco; Harden teve sua produção de maneira consideravelmente mais eficiente, mas também teve uma USG% menor. Westbrook foi melhor nos momentos finais das partidas, mas também viu seu time precisar de mais jogos apertados. Westbrook foi mais explosivo e teve jogos mais espetaculares; Harden foi mais consistente e raramente tirava seu time dos jogos com uma má atuação.

No final, se resumiu ao seguinte para mim: eu achei que Harden, isoladamente, teve uma temporada um pouco melhor do que Westbrook. Westbrook teve uma produção maior, mas Harden foi o mais eficiente dos dois por uma boa margem, e ele fez mais com o talento que tinha nas mãos: se considerarmos que ambos foram defensores abaixo da média esse ano (Harden foi um pouco melhor) e que suas contribuições se deram principalmente ofensivamente, a diferença é ainda mais impressionante do que a diferença de campanha entre os dois times, com o ataque liderado por Harden sendo o segundo melhor da NBA e o por Westbrook o décimo sétimo.

Parte disso se da, inclusive, pela diferença de estilo entre os dois jogadores: as assistências de Harden são mais (na falta de um termo melhor) mais "valiosas" do que as de Westbrook porque levam a mais arremessos de três pontos, enquanto as de Westbrook levam a mais arremessos de dois. Além disso, o estilo de passe de Harden é mais baseado em ler a defesa, manipulá-la, e criar espaços - espaços estes que não levam apenas a assistências, mas a novas chances que seus companheiros podem criar com esses espaços, como evidenciado por Harden ser 3rd na NBA inteira em "assistências secundárias", a assistência para a assistência. Westbrook não tem esse lado tão cerebral e de manipular as defesas para sua vantagem - o que ele faz é simplesmente bater quem quer que esteja na sua frente, forçar uma mudança na defesa, e dai usar essa mudança para achar um companheiro livre. Isso é extremamente valioso por conta própria - afinal, Westbrook gera uma penca de cestas fáceis com isso - mas ele também leva a uma estagnação caso a assistência não se concretize, não abrindo tantos espaços para continuar a jogada, e por isso Westbrook é apenas 28th na NBA nessas assistências secundárias, um número muito baixo para alguém que da tantas assistências e joga tanto com a bola nas mãos.

O problema, claro, é que isso se tomados isoladamente. Mas em contexto, Harden tem uma vantagem sobre Westbrook pela situação em que se encontra. Embora eu não engula - e você também não deveria - essa história de que Westbrook tem um péssimo elenco de apoio e muito inferior ao de Harden, o que simplesmente não é verdade, o que acontece é que as peças ao redor de Harden encaixam de forma melhor ao redor de Harden no sistema implementado pelo técnico Mike D'Anthony, enquanto que embora Westbrook tenha companheiros de time tão bons quanto, eles não possuem um encaixe tão natural uns com os outros (e com Russ), o que torna mais difícil jogar de forma a extrair o máximo de todos eles. Então embora eu ache que Harden foi melhor do que Westbrook, ele também joga em um sistema e um coletivo que favorece seu jogo mais do que o ex-colega. Como avaliar isso?

E foi enquanto eu sofria com essa questão e com esse dilema que eu achei minha resposta. E quem me ajudou a chegar nela foi um jogador que atende pelo nome de Nikola Jokic.

Jokic é um excelente jogador e uma das mais jovens estrelas da NBA, um pivô passador de excelente qualidade ao ponto de que Denver abandonou toda sua forma de jogo durante a temporada para se reconstruir ao redor das suas habilidades únicas de passe. Desse momento em diante, Jokic teve médias de 20 pontos, 11 rebotes e 6 assistências por jogo com 58 FG%, e Denver teve o melhor ataque da NBA inteira, na frente até mesmo da imbatível máquina da morte de Golden State, marcando 113.2 pontos por 100 posses de bola.

O que eu percebi então foi o seguinte: se você tirasse Jokic desse sistema construído especificamente em torno dele e de suas habilidades de passe, com 100% de certeza o sérvio não teria o mesmo desempenho e não acumularia esses números absurdos... mas ao mesmo tempo, é impossível que Denver jogasse de forma a extrair o máximo desse elenco se não fosse POR CAUSA desse sistema, que por sua vez só é possível por causa das habilidades únicas e excepcionais de Jokic. Ele é beneficiado individualmente pelo sistema, mas o sistema também depende dele para ser possível... e se esse sistema torna o time como um todo melhor e mais dominante, então Jokic deve receber créditos por tornar isso possível, e não o contrário.

E foi por isso que eu tomei minha decisão de que James Harden é o meu MVP da temporada 2017 da NBA. Sim, é verdade que o sistema do time maximiza as habilidades de James Harden e aumenta seu impacto, mas também são as habilidades de Harden que maximizam e tornam possível o funcionamento do sistema ofensivo do Rockets, e essa combinação que elevou o time inteiro do Rockets a um novo patamar... e quando você pensa a respeito, é a forma mais importante que se pode afetar um time de basquete. O elenco inteiro do Rockets só encaixa tão bem entre si, e com o sistema de D'Anthony, por causa de James Harden, e se isso faz o Rockets ser o ataque #2 e time #3 da NBA... então sim, Harden merece os créditos por fazer isso acontecer.

E embora Westbrook também tenha um sistema desenhado ao seu redor para tirar o máximo de suas habilidades (e sim, ajudá-lo a ter média de triple double), o encaixe desse time é mais difícil em parte porque o encaixe com Westbrook é mais difícil. Você precisa tirar jogadores da sua zona de conforto, adaptar mais suas habilidades para sair do caminho de Westbrook (o melhor exemplo sendo o calouro Domatas Sabonis), e isso acaba limitando mais o teto do time... que, sem a menor dúvida, só é alto como é devido ao próprio Westbrook. Boa parte disso não é culpa de Russ, é questão de montagem de elenco... mas também não é justo ignorar a importância de Harden para fazer o tão falado "sistema" funcionar em um nível tão alto.

Por isso que, no fim do dia, faz sentido que o Rockets seja um time melhor do que o Thunder. Talvez Harden estivesse em uma situação mais favorável para brilhar em um nível mais alto, mas ele FEZ acontecer e levou seu time com ele, e isso é que realmente diferenciou os dois para mim.

Então James Harden é meu MVP. Se você tem uma opinião diferente, ótimo: não existe só um critério, e muito menos só uma linha de raciocínio para se chegar em uma conclusão. Caso se de ao trabalho de procurar, vai encontrar MUITOS artigos bons e inteligentes defendendo escolhas de MVP que serão diferentes da minha (e outros que defendem a mesma). Não existe uma verdade sobre quem deva ganhar o prêmio. A única verdade que eu defendo é que não podemos limitar essa fantástica disputa a uma opinião absoluta que aponte um único jogador como merecedor.

O resto é história.

Ballot final: 1. James Harden; 2. Russell Westbrook; 3. Kawhi Leonard; 4. LeBron James; 5. Stephen Curry; 6. Giannis Antetokounmpo; 7. John Wall; 8. Isaiah Thomas; 9. Anthony Davis; 10. Rudy Gobert.

Fontes: Synergy Sports; NBA.com/stats; Basketball-Reference; NBA Stats & Info; e uma tonelada de horas no NBA League Pass.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Prêmios da temporada 2016 da NBA

Curry comemora ao saber do voto do TMW para MVP


Mais uma temporada da NBA chegou ao fim, e com estilo: Golden State quebrou o recorde de mais vitórias em uma temporada (73-9) e tenta completar a temporada mais vitoriosa da história da NBA; San Antonio teve uma própria temporada histórica, igualou o recorde de vitórias em casa do Celtics de 1986 (40-1) e continua o eterno legado de Duncan e Pop; e Kobe Bryant fez sua emocionante e histórica despedida em Utah. Uma temporada para se lembrar.

Mas ela acabou, e enquanto esperamos o começo dos playoffs, enfim chegou aquele tão esperado momento: é hora de distribuir os prêmios de fim de temporada para a NBA.

Como eu e o Vinicius já falamos amplamente dos prêmios individuais na edição 9 do nosso Hack a Cast, e eu já expliquei em muitos mais detalhes a maior parte desses votos, eu vou passar mais rapidamente por estes, falar apenas de alguns pontos que ficaram faltando ou de eventuais mudanças, e então me aprofundar mais nos times All-NBA que não foram comentados anteriormente.

Vale lembrar também que saiu eu e o Vinicius já fizemos a Edição #10 do Hack a Cast, com o preview de todas as séries de playoff! 

Então sentem, relaxem, sigam o Hack a Cast no seu aplicativo de podcasts favorito, e aproveitem a coluna.


Most Valuable Player: Steph Curry

De novo: esse prêmio deveria ser unânime. Não será, porque SEMPRE tem alguém que quer aparecer. Assim como Jordan não ganhou unanimemente em 1996, assim como LeBron não foi unânime em 2013, e por ai vai. Mais um motivo pelo qual esses votos deveriam ser públicos: se você faz um voto tão imbecil assim, todo mundo tem que saber quem você é. Curry se tornou o primeiro membro da história do 50-40-90 club (pra quem arremessa 50% de quadra, 45% de três e 90% nos lances livres) a ter média de 30 pontos por jogo, e fez isso chutando 50-45-90 (só Nash, entre jogadores qualificados, teve números assim antes)! Curry acertou 400 bolas de três em uma temporada, quando ninguém nunca antes tinha chegado em 300. E ele é o melhor jogador da NBA E o melhor jogador do time que acabou de bater o recorde de vitórias da história da NBA. Então tem isso.

Regardless, esse foi de longe o prêmio que a gente mais discutiu no podcast, por isso só queria falar de um último aspecto.

A maior parte da estranheza do meu ballot veio de eu ter colocado Russell Westbrook na frente de Kevin Durant. Em parte, existe uma dificuldade natural de você julgar o MVP de dois jogadores no mesmo time - se ambos são "Mais valiosos", então nenhum é, certo? Faz parte da natureza idiota desse prêmio, e é uma dificuldade a ser contornada. 

Então sim, Kevin Durant é um jogador melhor que Westbrook. O motivo para eu ter votado no armador primeiro e no ala depois é simples: esquema tático. Esse ano, pela primeira vez, o Thunder mudou seu ataque para tornar Westbrook, e não KD, o centro do ataque e o seu organizador (escrevi sobre isso nessa coluna). E por causa disso eu vejo Westbrook como tendo sido um pouco mais importante para a totalidade do que o Thunder fez nessa temporada, controlando a bola, criando e facilitando para seus companheiros. Sem Westbrook, eles poderiam ter mantido KD como centro do ataque e continuado eficientes? Possível. Mas não o fizeram. E por isso eu tenho Westbrook rankeado um pouquínho acima para MVP, embora admitindo que Durant é o melhor jogador do time.

Algumas menções honrosas: Paul Millsap, Kemba Walker, Al Horford, Gordon Heyward, Paul George, James Harden.

Ballot (Top10): 1. Steph Curry; 2. LeBron James; 3. Kawhi Leonard; 4. Russell Westbrook; 5. Chris Paul; 6. Kevin Durant; 7. Kyle Lowry; 8. Damian Lillard; 9. Draymond Green; 10. Isaiah Thomas.


Defensive Player of the Year: Kawhi Leonard

Esse eu mudei um pouco em relação ao que eu falei no podcast. No Hack, eu citei seis jogadores: Kawhi e Dray os indiscutíveis 1-2;  a dupla Gobert/Favors que eu mudei entre #3, #4 e #6 ao longo do podcast; Millsap, #4; e Tim Duncan, #5. 

E entre as menções honrosas, eu citei Avery Bradley, que fez um trabalho fantástico esse ano em Boston, defendendo (e dominando) três posições para a quarta melhor defesa da temporada. Na verdade, eu tinha Bradley no meu Top5 antes das etapas finais, e deixei o SG de Boston de fora por achar que era meu lado torcedor falando mais alto e que não era uma decisão válida.

Mas desde então eu tive mais tempo para pensar e reavaliar essas escolhas, bem como consultar outros especialistas e pegar mais opiniões. E eu percebi que não, escolher Bradley não era fruto de clubismo: ele fez por merecer, e foi de fato um dos melhores defensores da temporada. Então ele volta para onde estava originalmente, #4 no meu ballot. E se você quer ver mais de perto os motivos que fizeram de Bradley um dos melhores defensores da temporada, recomendo fortemente essa genial coluna do ótimo Scott Rafferty.

Infelizmente, isso derrubou Duncan do meu ballot, o que é uma grande pena porque pouquíssimos jogadores foram tão bons defensivamente em um nível por-minutos. O único motivo para ter colocado Duncan fora foram os minutos: Duncan perdeu 22 jogos e jogou apenas 1500 minutos, 400 a menos do que Derrick Favors, meu #5, e Rudy Gobert, meu #7. Acabei dando a margem para Favors pelo maior papel que foi forçado a assumir ao longo do ano, sua versatilidade e maiores minutos que o pivô do Spurs, mas isso de forma alguma apaga o que Duncan fez nessa temporada fantástica. Aos 39 anos, ele continua um dos melhores defensores da liga e é parte fundamental do que o Spurs faz, dentro e fora de quadra.

Por fim, acabei colocando Millsap #3, porque realmente não da para deixar Millsap - que foi um fantástico defensor o ano todo, lider da segunda melhor defesa da liga, versátil e dominante - atrás de jogadores que tiveram 20 jogos e 800 minutos a menos. Foi um erro grave meu que corrijo aqui no meu ballot final.

Então nossa ordem ficou: Kawhi, Dray, Millsap, Bradley e Favors. Com meus eternos perdões a Duncan, eu gostei do resultado final. Algumas menção honrosas: Paul George, Tim Duncan, Rudy Gobert.

Ballot: 1. Kawhi Leonard; 2. Draymond Green; 3. Paul Millsap; 4. Avery Bradley; 5. Derrick Favors.


Rookie of the Year: Karl-Anthony Towns

Vou guardar a maior parte do que eu penso para os All-Rookie Teams, e já falamos muito desse prêmio no podcast, mas queria deixar isso claro: Towns deveria ser unânime. Ele não é o melhor calouro, já é um dos melhores JOGADORES da posição na NBA. Ele é fantástico.

Ballot: 1. Karl-Anthony Towns; 2. Kristaps Porzingis; 3. Nikola Jokic; 4. Justise Winslow; 5. Myles Turner.


6th Man of The Year: Andre Iguodala

No podcast, eu disse que votava em Jamal Crawford em quinto para 6th Man of the Year porque não queria causar uma revolta, mas que eu preferia Ed Davis pelo melhor impacto all-around em um time que dependia mais dele.

Bom, quer saber? Ed Davis entra no meu ballot oficial. Adeus, Crawford. Me processem!

Eu sei que esse prêmio acaba geralmente indo para o jogador que vem do banco, arremessa muito e faz muitos pontos, mas eu acho um jeito idiota de dar esse prêmio. Para mim, é um prêmio para o jogador que vindo do banco mais contribuiu em geral para seu time, da forma como tiver sido. Por isso votei em Iguodala, alguém que não só tem enormes contribuições defensivas e como ballhandler, mas que também é essencial para a identidade versátil e de small ball do Warriors. As estatísticas de Iggy podem não saltar aos olhos, mas seu impacto é imenso no melhor time da NBA.

O caso para tirar Crawford da lista é simples: apesar do alto número de pontos e highlights, ele é um jogador extremamente ineficiente (40 FG%) que dobra como um dos piores defensores da NBA, alguém que literalmente entra só para arremessar a vontade e que pouco contribui em outras áreas. Seus números parecem bons, mas não é difícil ver que as vezes Crawford prejudica tanto quanto ajuda seu time, especialmente na defesa. Por isso prefiro valorizar jogadores mais completos e que tem um impacto coletivo maior como Patrick Patterson e Ed Davis. Qualquer um desses dois faria muito mais falta aos seus respectivos times em caso de lesão do que caras como Crawford.

Embora seja um prêmio que eu não goste, o 6MOY pode ser bastante instrutivo quando trás a tona esse debate, o impacto real de um jogador contra o impacto que acham que ele tem. Algumas menções honrosas: Crawford, Tristan Thompson, Enes Kanter.

Ballot: 1. Andre Iguodala; 2. Evan Turner; 3. Patrick Patterson; 4. Will Barton; 5, Ed Davis


Most Improved Player: Stephen Curry

Em geral, minha política para esse prêmio é não votar em jogadores nos seus três primeiros anos de NBA -  afinal, para jogadores tão jovens é totalmente esperado que mostrem evolução. Mas McCollum e Giannis mostraram muita evolução, e não eram escolhas tão altas assim. Eu estava na dúvida sobre o que fazer com eles até lembrar que esse é o prêmio mais idiota da NBA e eu não deveria perder tempo com ele. Então entram os dois e ponto.

Sobre Manhimi, sua evolução provavelmente foi a mais "real", e não apenas um aumento de minutos e responsabilidade: antes um pivô brucutu que não sabia fazer muitas coisas, esse ano Manhimi foi a ótima âncora de garrafão do Pacers, fazendo passes difíceis, leituras inteligentes em alta velocidade e mostrando um muito evoluído jogo de meia distãncia. Foi realmente impressionante, um jogador que realmente mudou sua skill set, e merece ser reconhecido.

Mas meu voto ainda é de Curry, por um simples motivo: é muito mais difícil evoluir quando você já é talvez o melhor jogador da NBA e o MVP. Marginalmente, a evolução é muito mais difícil. Curry fez exatamente isso, e por isso tem meu voto. 

Ballot: 1. Stephen Curry; 2. CJ McCollum; 3. Jae Crowder; 4. Ian Manhimi; 5. Giannis Antetokounmpo; 6. Draymond Green.


Coach of the Year: Brad Stevens

Para os preguiçosos que NÃO ouvirão o podcast, eu tenho duas regras para o prêmio esse ano:

1. Greg Popovich é o melhor técnico da NBA. Ponto. Ninguém é melhor mantendo um time junto, fazendo ajustes e vencendo jogos. Ele deveria ganhar todo ano. Então, por esse motivo, eu parei completamente de considerá-lo nos meus ballots. Ele será o Coach of the Year de fato todo ano, então eu o considerarei como hour concour para efeitos de discussão.

2. Eu não faço ideia do que fazer com Steve Kerr e Luke Walton. Cada um foi técnico por só metade da temporada, de um time que não perde nada com um ou outro, mas que por outro lado pode ter sido o melhor da história da temporada regular da NBA. Então, como não sei o que fazer aqui, vou deixar os dois de fora da lista e incluí-los nessa nota para admirar a temporada fantástica que ambos tiveram no comando do melhor time da NBA.

Ditos esses dois pontos, o fato desse prêmio é que qualquer um dos três primeiros dessa lista seria um merecedor do título. Stevens, Stotts e Clifford todos fizeram trabalhos magníficos com times limitados, tiveram grandes campanhas, superaram as expectativas e foram dos melhores da liga fazendo ajustes diariamente e adaptando a diversas situações. Meu voto por Stevens possivelmente tem um ligeiro viés de Boston - afinal, eu vi quase todos os jogos de Boston no ano e acompanhei mais de perto o seu trabalho - mas também é o técnico do melhor time dos três. Mas qualquer um deles teria sido uma ótima opção.

Menção válida também para Carlisle, que ano sim, ano não ta lá tirando 40 vitórias e uma vaga nos playoffs de times cada vez mais limitados de Dallas. Você poderia cercar Dirk de quatro blogueiros brasileiros que Carlisle ainda arrancaria uma vaga nos playoffs. Ele é um gênio.

Casey também teve ótimo trabalho, mas cai para quinto pela força dos outros candidatos e por eu ter achado que sua abordagem na reta final da temporada vai custar ao time nos playoffs.

Ballot: 1. Brad Stevens; 2. Terry Stotts; 3. Steve Clifford; 4. Rick Carlisle; 5. Dwayne Casey.


Teams All-NBA

1st Team: Stephen Curry, Russell Westbrook, LeBron James, Kawhi Leonard, Draymond Green

2nd Team: Kyle Lowry, CP3, Kevin Durant, Paul Millsap, Al Horford

3rd Team: Damian Lillard, James Harden, Paul George, LaMarcus Aldridge, DeAndre Jordan


A NBA recentemente liberou que os votantes de times All-NBA votassem em Draymond Green como um Center, o que me evitou do extremo incômodo de derrubá-lo para o 2nd Team All NBA e ter que colocar Horford ou Jordan no 1st Team - ambos bons jogadores, mas não de 1st Team All NBA.

O problema é que as opções de costume não estavam disponíveis: Cousins perdeu muito tempo, jogou em segunda marcha (especialmente na defesa) durante muito tempo, e foi um dos grandes responsáveis pelo caos que foi o Kings dessa temporada; e Marc Gasol perdeu a maior parte do ano machucado. Então colocando Green de Center - onde ele jogou durante boa parte da temporada, inclusive na famosa Lineup of Death, a mais devastadora da NBA moderna (Curry, Klay, Iggy, Barnes e Draymond) - resolve os dois problemas: achar um Center para o 1st Team All-NBA, e achar um lugar para Draymond Green (um dos dois melhores defensores da NBA, 14-9-7 de médias, quase tão importante quanto Steph Curry para um time que acabou de vencer 73 jogos) no 1st Team All-NBA que ele merece.

Mas, infelizmente, não teve gambiarra posicional que me salvasse da cruel decisão de deixar de fora do 1st Team um do trio LeBron, Kawhi e Durant, já que o time só nos permite 2 Forwards,

No final, eu decidi por deixar Durant de fora, com dor no coração. LeBron foi meu #2 para MVP e é para mim o segundo melhor jogador da liga com uma boa margem ainda, mas entre Kawhi e Durant foi uma briga boa. Eu acho KD o melhor jogador dos dois, mais capaz de carregar diariamente um time como alpha dog, mas na totalidade do ano, eu acho que Leonard foi ligeiramente melhor pelo seu impacto imenso nos dois lados da quadra por um time superior, enquanto o fantástico Durant ainda teve alguma adaptação de dividir cada vez mais as chaves do ataque com Westbrook. Mas, realmente, é uma decisão marginal, e mais uma questão de opinião. Não tem como ir errado nela.

Então Durant acabou escorregando para o 2nd Team All-NBA junto de Paul, Lowry (#5 e #7 no meu ballot para MVP, respectivamente) e Paul Millsap, que foi #3 na minha votação para melhor defensor da temporada e foi meu último corte no ballot para MVP. 

No terceiro time, junto de Lillard (#8 para MVP), Paul George (penúltimo corte antes de Millsap) e Aldridge (excelente impacto dos dois lados da quadra para um time que venceu 67 jogos), eu coloquei James Harden ao invés de Isaiah Thomas, que foi #10 no meu ballot para MVP.

Por mais estranho que isso pareça, eu achei uma conclusão válida. Meu argumento para Isaiah na corrida para MVP se baseava no conceito de "Mais valioso": o ataque inteiro de Boston era baseado em uma quebra inicial da defesa, e Isaiah era praticamente o único jogador do time capaz de fazer isso, o que significa que toda a responsabilidade de iniciar as ações ofensivas do time dependiam do baixinho, fazendo dele um jogador extremamente valioso para o Celtics. Mas individualmente, Harden ainda é superior. Sua candidatura a jogador "mais valioso" cai por conta da falta de vontade e fraca liderança, que acaba tendo um efeito dominó pelo plantel, mas também é preciso ver o outro lado da moeda: Harden jogou minutos sobre humanos (liderou a NBA com 3125 no ano) e é o único jogador de criar no ataque de Houston, o que significa que ele teve que criar o tempo todo (e por mais tempo que qualquer outro) para que seu time pudesse sequer sobreviver. De certa forma, da até uma certa justificada em sua falta de dedicação e energia na defesa e nos contra ataques. Harden tem sua culpa na temporada abismal de Houston, mas também foi alguém que segurou as potnas muitas vezes, teve 29-7.5-6 de médias e precisou fazer muito mais do que seria ideal pedir dele. Achei que mereceu a última vaga.

Quanto aos pivôs, depois de Green no 1st Team All NBA, eu tive três nomes para as últimas duas vagas: Al Horford, provavelmente o melhor Center all-around da temporada; DeAndre Jordan, cuja defesa se tornou tão overrated que fez as pessoas esquecerem do quão destrutivo o pivô é ofensivamente cortando na direção do aro; e o calouro, Karl-Anthony Towns, que teve 19-10 de média, arremessou de meia distância e de três, e já é um bom defensor.

No final, eu acabei optando pelo maior impacto em times bons de Horford e DeAndre. É mais fácil jogar em times ruins e com mais liberdade, mas para manter a mesma atuação se mantendo fiel a um esquema de jogo mais consolidado e precisando desse impacto para vencer jogos é mais difícil e merece mais créditos. Horford acabou ficando no 2nd Team (junto de Millsap foram os pilares da segunda melhor defesa da temporada, além de ser um dos mais completos jogadores de garrafão ofensivamente da NBA, capaz de jogar perto e longe da cesta, passar e arremessar), e DeAndre e suas enterradas ficaram no 3rd Team. Por mais que eu quisesse valorizar a temporada incrível de Towns, essa me pareceu a montagem mais justa dos times. 

Cortes finais e mais difíceis: Isaiah Thomas; Klay Thompson; Kemba Walker; John Wall; Gordon Heyward; Jimmy Butler; Derrick Favors; Anthony Davis; Andre Drummond; DeMarcus Cousins; Tim Duncan; Hassan Whitesite.


Teams All-Defense

1st Team: Ricky Rubio; Avery Bradley; Kawhi Leonard; Paul Millsap, Draymond Green

2nd Team: Chris Paul, Jimmy Butler, Paul George, Derrick Favors, Tim Duncan


Eu já falei bastante em outros momentos - em especial no podcast - sobre 4 dos 5 membros do 1st Team All-Defense: Bradley, Kawhi, Millsap e Draymond Green, todos no meu Top5 para Defensive Player of the Year. Então vamos falar do quinto membro: Ricky Rubio.

Até hoje, Rubio continua criminalmente underrated, especialmente na defesa. Talvez por ele ser branco, europeu e pouco atlético, mas as pessoas parecem ter algum bloqueio para enxergar o defensor incrível que Rubio é. A verdade é que o espanhol talvez seja o melhor PG defensivo da NBA quando saudável, um defensor extremamente físico e inteligente que consegue acompanhar mesmo os mais velozes armadores da NBA. Rubio usa sua inteligência e capacidade de antecipação para ficar um passo à frente do ataque, sempre chegando na hora ou até antecipado nos lugares certos, atrapalhando os ataques e conseguindo diversos roubos de bola no processo. Já passou da hora de Rubio ser reconhecido por sua fantástica defesa.

No 2nd Team temos defensores mais chamativos: Butler e George são consagrados defensores de perímetro; Favors o último membro do meu ballot para DPOY; e Duncan é só um dos melhores defensores da história da NBA que consegue manter um altíssimo nível mesmo aos 39 anos e ainda é a âncora interior da melhor defesa da temporada e uma das melhores da história. Paul é um exemplo de jogador que entrou no time ano passado baseado em reputação e não em produção, já que sua temporada defensiva deixou a desejar em 2015, mas voltou a jogar em altíssimo nível desse lado da quadra em 2016 e poderia até mesmo ter um argumento para desbancar Rubio do 1st Team.

A posição de guard, inclusive, foi a mais difícil (além de decidir entre Duncan e Gobert para 2nd Team Center). Tony Allen teve um ano irregular e perdeu jogos, mas ainda é um dos 3 melhores defensores de perímetro da  NBA quando joga a 100%;  Kentavious Caldwell-Pope emergiu essa temporada como um dos melhores guards defendendo PGs da liga; e Marcus Smart é uma mistura de um pitbull com uma bola de boliche. Todos eles poderiam ter roubado a vaga de Paul nesse 2nd Team All Defense, mas no final optei pelo maior impacto cumulativo e consistente de CP3. Todos seriam boas opções.

Ausências mais difíceis: Marcus Smart; Tony Allen; Kentavious Caldwell-Pope; Jae Crowder; Al Horford; Rudy Gobert.


Teams All-Rookie

1st Team: Justise Winslow; Myles Turner; Nikola Jokic; Kristaps Porzingis; Karl-Anthony Towns

2nd Team: Emmanuel Mudiay; D'Angelo Russell; Devin Booker; Jahlil Okafor; Willie Cauley-Stein


Se você quer saber se seu amigo acompanha NBA de verdade e/ou entende alguma coisa de basquete, pergunte pra ele casualmente se Nikola Jokic deveria entrar no 1st Team All-Rookie. Se a resposta for não - ou até se ela demorar para vir, na verdade - então você sabe que esse seu amigo não está acompanhando NBA assim tão de perto. Jokic teve um ano fantástico, e não só é um no-brainer para 1st Team como o europeu tem até mesmo um caso para roubar o #2 de Porzingis, embora não serei eu a fazê-lo. Mas Jokic - que caiu para a segunda rodada do Draft por "falta de atleticismo" - se mostrou o pivô perfeito para a NBA moderna, um grandalhão capaz de proteger o aro (adversários tiveram o mesmo aproveitamento arremessando perto do aro contra Jokic que contra Towns) e defender em alto nível (compensando a falta de atleticismo com mobilidade e inteligência) e espaçar a quadra no ataque: bom arremessador com alcance até a linha dos 3Pt, passador de elite para seu tamanho, extremamente versátil. Não é coincidência que Denver foi um time -7.5/100 posses com o sérvio no banco, e +1.2/100 posses com ele em quadra. Jokic foi um monstro em 2016 e, talvez pelo preconceito com calouros europeus, talvez por jogar em um esquecido time do Nuggets, não recebeu o reconhecimento que merecia do grande público.

Sobre Towns, eu já falei bastante no podcast e na coluna: sua combinação de defesa, tamanho, arremesso, capacidade de atacar o aro e passe é única e faz dele um dos ativos mais valiosos da NBA. Não é exagero dizer que Towns talvez já seja um dos 20, 25 melhores jogadores da liga hoje.

Porzingis é outro no-brainer, embora tenha acabado sendo ligeiramente overrated pela mídia, em parte por jogar em New York. Sua defesa, mobilidade e versatilidade foram ainda superiores ao que esperávamos, mas seu arremesso de fora não mostrou a evolução esperada, e sua produtividade foi caindo ao longo do ano. Não é nenhum problema para um calouro, claro, e seu ano ainda foi excelente e o potencial é de ser uma estrela na NBA, mas sempre é importante lembrar de ter calma.

Esses três eram as escolhas óbvias, que não podem faltar em nenhum time digno de nota.

Depois desses, ainda faltavam dois lugares, e é quando entramos naquele interessante e difícil debate: como valorizar devidamente jogadores em situações tão extremas e diferentes? Por um lado, você tem jogadores como Devin Booker, que tem números melhores e maior destaque individual, mas por jogarem em times ruins e sem nenhuma aspiração, que tem liberdade para fazerem o que bem entenderem. Por outro, tem jogadores como Justise Winslow, que não tem os números e muito menos liberdade para produzirem individualmente, mas que tem que se adaptar a um esquema mais "sério" e jogar não com liberdade, mas se adaptando e produzindo dentro de um esquema específico voltado para vencer jogos.

Eu pessoalmente valorizo mais o segundo: vários calouros talentosos tem condições de postar números impressionantes se deixados livres para produzir e errar sem compromisso, mas conseguir produzir (para si e para o time) dentro de um contexto específico, contribuindo para um time vencedor em busca de resultados, é muito mais difícil. Por isso que minhas duas últimas vagas no 1st Team All-Rookie foram para Myles Turner e Justise Winslow, dois calouros com números individuais apenas sólidos mas que tiveram enorme impacto dos dois lados da quadra e foram cruciais para dois times de playoffs na temporada (para mais detalhes, escutem o podcast).

E isso não é para diminuir Booker, que teve uma boa temporada e mostrou um jogo de pick and roll muito mais avançado do que se esperava, e que não teve a chance de mostrar em Kentucky (embora, para ser justo, sua defesa foi péssima). Nos seus últimos 22 jogos, Booker teve médias de 21 pontos e 5 assistências. Bastante impressionante mesmo considerando os 4 turnovers e 18 arremessos por jogo. É só que é mais fácil fazer isso em um time como Phoenix, que já tinha desistido da temproada e não tinha intenção de ganhar jogos mais, o que permitiu a Booker fazer o que bem entendesse.

Mudiay foi uma decisão difícil, pois a produção do armador do Nuggets deixou a desejar: seu arremesso foi péssimo (36.4 FG%) e foram 3.2 turnovers por jogo para alguém que as vezes pareceu genuinamente perdido. Ainda assim, Mudiay ganha o benefício da dúvida por um motivo semelhante a Winslow e Turner: desde o primeiro dia, Mudiay teve que aguentar uma responsabilidade enorme e conduzir o show para um time que estava seriamente tentando vencer jogos e mudar a cultura. Mudiay não tinha a liberdade de errar como outros, ele precisava jogar para o time e produzir resultados coletivos, e dado esse cenário ele foi até bastante produtivo.

Outro armador difícil de julgar é D'Angelo Russell, especialmente depois do escândalo envolvendo ter vazado um áudio no qual Nick Young confessou ter traído sua esposa/noiva (sim, eu estou por fora das fofocas do mundo da NBA). Seus pontos altos na temporada foram ótimos, mas os baixos também foram bastante baixos, e sua temporada provavelmente ficará mais marcada pelos problemas com o técnico e Young do que pela sua produção. Ao mesmo tempo, no entanto, eu sinto que precisamos dar um desconto a Russell, que se encontrava na pior situação possível: seu técnico era o pior da história recente da NBA, jogando junto de vários outros ballhandlers em um elenco fraquíssimo, por uma franquia incompetente que estava mais interessada em promover a despedida de Kobe do que em desenvolver algo semelhante a um time. Era uma situação sem saída, e dadas as circunstâncias, Russell até que jogou muito bem.

Okafor também é um caso difícil, tendo perdido boa parte da temporada, se envolvido em problemas extra campo, perdido totalmente sua habilidade nos passes e mostrado talvez a pior defesa de qualquer jogador que eu vi na temporada. Then again, sua capacidade de pontuar é incrível, sua média de pontos foi a segunda melhor entre calouros, e existe um limite para as coisas que um homem consegue fazer jogando no desastre que foi o Sixers desse ano. Considerando a total falta de espaçamento, ajuda ofensiva e defensiva, falta de um armador puro para ajudar a conseguir bons arremessos, os 17.5 pontos por jogo em 50.8 FG% de Okafor parecem quase milagres.

A última vaga então ficou entre alguns bons jogadores que tiveram menos espaço no ano: Willie Cauley-Stein, Josh Richardson (infelizmente não teve os minutos), Trey Lyles (demorou para ganhar espaço, inconsistente na defesa), Frank Kaminsky e mais alguns. No final, acabei optando por Stein, que também teve que superar uma péssima situação (um Kings extremamente disfuncional com um técnico mais interessado em atrapalhar que ajudar) para brilhar, especialmente na defesa, onde ele é surreal. Mas qualquer um seria uma opção válida nessa última vaga. Simplesmente uma classe fantástica de calouros.



Ausências mais difíceis: Trey Lyles, Frank Kaminsky, Josh Richardson, TJ McConnell, Bobby Portis.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Prêmios e previsões da temporada 2015 da NFL

E o prêmio de pior jogada de 2015 vai para... (Gif do genial Dave Rappoccio)


Para quem não lembra, no começo do ano eu fiz um post com minhas muitas previsões embasadas para a temporada 2015 da NFL E uma coluna para o Spin Bet com minhas apostas de Vegas para a temporada. Então antes de partir para nossa tradicional coluna distribuindo os prêmios individuais do futebol americano - sabe, os velhos MVP, Offensive Player of the Year e por ai vai - vamos dar uma olhada em como eu me sai nos meus palpites da preseason.


Palpites da preseason

O Time Que É o Grande Candidato A Regressão: Detroit Lions

Bem, o Lions de 2014 terminou 11-5, mas com uma tabela fácil (9th mais fácil da NFL) e com 9-7 de Pythagorean Expectation, um famoso sinal de regressão. Além disso, o time perdeu dois dos seus principais jogadores da sua maior força (a defesa), Ndamukong Suh e Nick Farley (e, pra piorar, DeAndre Levy teve uma lesão não muito bem esclarecida na preseason e acabou perdendo a temporada toda). Era um alvo fácil para regredir em 2015. Dito e feito, Detroit regrediu dos dois lados da bola, sofreu defensiva e ofensivamente com as perdas que teve, e terminou o ano com um decepcionante (mas previsível) 7-9 que está alinhado com sua Pyt Expectation. Então começamos bem.

(Minha menção honrosa da coluna? Arizona Cardinals. Vamos fingir que isso nunca aconteceu?)


O Time Que Promete Explodir Mas Decepciona: Miami Dolphins

I'm on fire!!

Antes da temporada começar, eu citei que apesar da bombástica contratação de Ndamukong Suh o Dolphins não me passava confiança. Para justificar esse ponto, argumentei que o time estava comprometendo muito dinheiro para um jogador só, sendo que a equipe ainda tinha muitos buracos a serem tapados (e não teriam mais cap para corrigir isso com o contrato monstruoso de Suh ocupando tanto espaço), comprometendo a profundidade da equipe. Também citei que a famosa "evolução" de Ryan Tannehill em 2014 tinha sido bastante overrated, mais devido a um novo esquema tático que a  uma evolução do jogador, e que não deveríamos esperar uma explosão do jovem QB em 2015.

Bem... bingo! Apesar da inconsistência, Suh teve uma temporada dominante, mas isso não foi suficiente para impulsionar uma defesa que simplesmente carecia de talento atrás de sua nova estrela, especialmente depois que Cameron Wake foi parar no IR. Tannehill também me fez parecer um profeta, regredindo em todas as áreas do jogo e tendo uma desastrosa temporada, terminando o ano com QBR de 43 (32nd entre 37 QBs qualificados). Foi um ano jogado fora: o técnico caiu logo no começo do ano, o GM seguiu antes do fim da temporada, e agora parece que o próprio Tannehill pode deixar o time em breve (a informação que chega é que essa decisão estará nas mãos do novo técnico, o que não é exatamente um voto de confiança para o QB). Eu apostei contra o time, mas não esperava esse desastre.

Vale citar também que eu acertei também na minha menção honrosa, o Buffalo Bills, mas por motivos bem diferentes do que eu imaginava. Achei que o fator limitante seria o ataque liderado por Tyrod Taylor, mas bizarramente o Bills teve um dos melhores ataques da liga (#9 na NFL), Taylor foi uma revelação (63.7%, 8.0 Y/A, 20 TDs, 6 interceptações, 67.84 QBR) e o que derrubou o time foi justamente sua famosa defesa, que terminou como #2 da liga ano passado mas despencou para #24 nessa temporada depois de se juntar a um HC que é uma das melhores mentes defensivas da história da NBA. Extremamente bizarro. 


O Jogador Desconhecido Que Explode No Lugar Certo: Joseph Randle

Esse foi um grande fiasco. Apostei no Randle por confiar na linha ofensiva de Dallas, que poderia fazer um RB decente ter números de estrela e ganhar algumas ligas de fantasy. Mas não deu nada certo: Romo se machucou (e afundou o ataque de Dallas junto), Randle teve apenas 73 corridas em 6 jogos para 313 jardas (fracas 4.1 jardas por corrida), batalhou problemas extra-campo antes de ser dispensado na semana 7 e agora acaba a temporada sem time. Funhé.


Jogador Subvalorizado Que Estoura Na Situação Certa: DeAndre Hopkins

Já fazia um ano que Hopkins era um dos melhores WRs da NFL, mas por ainda dividir alvos com o futuro Hall of Famer Andre Johnson (e por jogar no fraco Texans) pouca gente prestava atenção no quão incrível Hopkins estava se tornando. Sem Johnson, Hopkins finalmente explodiu e recebeu a atenção nacional que merecia já faz um ano: 111 recepções (#3 na NFL), 1521 jardas (idem), 11 Touchdowns (#7 na NFL) e algumas das recepções mais incríveis da temporada. E isso tudo passando a temporada recebendo passes do verdadeiro festival que foi a posição de QB do Texans: Brian Hoyer, Ryan Mallett, TJ Yates, Brandon Weeden e BJ Daniels (eu juro que não inventei esse nome) chegaram a jogar atrás do Center por Houston essa temporada. Imagina o quão bom esse cara poderia ser com um QB de verdade. Considerando essa seleção de QBs, é possível argumentar que Hopkins na verdade foi o melhor WR de 2015 apesar dos números piores que Antonio Brown e Julio Jones (hold that thought...). Talvez não seja eu a fazê-lo, mas o argumento existe. Regardless, foi uma temporada fantástica que enfim colocou Hopkins no mapa do fã casual de NFL. E já era hora!


A Grande Contratação Que Fracassa: Julius Thomas

Eu juro por tudo que é sagrado que eu tinha DeMarco Murray como minha aposta nessa seção até a revisão final da coluna, mas não tive os culhões para ir até o fim apostando no fracasso do ex-RB de Dallas. Me chutei o ano todo por isso. Pelo menos acertei a menção honrosa citando outra contratação do Chip Kelly que deu errado, Byron Maxwell, que recebeu 50M de dólares para ser o CB #1 da equipe e cedeu um rating de 100.3 para QBs que lançaram na sua direção. Obrigado pelos alvos fáceis, Chip. 

Sobre Julius Thomas, basicamente aconteceu o que eu esperava dele: um jogador totalmente unidimensional que não bloqueia, não move as correntes e só serve basicamente como alvo na end zone. 46 recepções para 455 jardas não são desprezíveis para um TE, mas também não valem um contrato de 46M em nenhum lugar do mundo para um jogador que não contribui em outras áreas. Por outro lado, Thomas pegou 5 TDs, então ele cumpriu parte do papel pelo qual está sendo pago, ainda que o Jaguars possivelmente esperasse algo mais próximo dos 12 que teve de média nos últimos anos em Denver. Não foi totalmente inútil, mas por 46M por ano, é muito pouco. Não sei o que o time esperava de diferente com essa contratação, para ser sincero.


O Jovem Time Que Explode de Produção: Minnesota Vikings

Essa foi a aposta mais divertida de acompanhar ao longo do ano. No começo da temporada, tirando uma derrota para San Francisco que fica mais inexplicável a cada dia que passa, o Vikings parecia que me faria parecer esperto, ganhando vários jogos e liderando a divisão... mas eu não estava satisfeito, porque assistindo aos jogos parecia bem claro que o time não estava JOGANDO tão bem assim, não estava produzindo como eu esperava em quadra. Sempre defendi que número de vitórias na temporada é um critério fraco pra avaliar nível de jogo de um time. O time estava ganhando, mas não jogando bem.

Dai passou um ponto da temporada onde o calendário do Viks apertou, o time começou a perder mais jogos... mas eu estava absolutamente feliz porque finalmente Minny estava jogando como eu esperava. Mesmo com múltiplas lesões a alguns dos seus melhores jogadores (Harrison Smith, Anthony Barr, Linval Joseph, Adrian Peterson), o time evoluiu dos dois lados da bola, Bridgewater voltou a parecer o Franchise QB do final do ano passado (65.3% de aproveitamento, 7.2 Y/A, 62.71 QBR na temporada sem receber NENHUMA atenção da mídia apesar de não ter um bom grupo de WRs ou uma linha ofensiva decente), e o time subiu de 27th DVOA para 11th ao final da temporada. Eventualmente, Minnesota venceu Green Bay na semana 17 para conquistar seu primeiro título da divisão desde 2009, coroando sua temporada. Mas, mais importante para mim, estão jogando como o jovem time em ascensão que eu queria ver desde Agosto.


O Nome Grande Que Cai Em Um Time Novo: LeSean McCoy

Difícil dar um parecer sobre essa. Eu esperava que McCoy caísse em Buffalo atrás de uma linha ofensiva que vinha sabotando seus próprios RBs e sem um QB competente para abrir espaços, jogando em um esquema ofensivo que não jogava a favor das suas forças. E não foi bem o que aconteceu - ainda que ninguém vá dizer que McCoy teve um grande ano, difícil dizer que ele foi um fracasso completo. O maior problema de Shady foram as lesões, perdendo 4 jogos e vários outros snaps, dividindo mais toques do que o antecipado e em geral não participando tanto do ataque quanto em Philly. No final, terminou com 12 jogos, 895 jardas corridas e 292 recebidas, além de medianas 4.4 jardas por corrida com 5 TDs e 2 fumbles. Não foi um destaque, mas também não foi um desastre depois de um começo que parecia indicar nessa direção. McCoy caiu de fato de produção, mas não tanto quanto eu esperava, e parte disso veio de lesões... e por outro lado, ele provavelmente foi pior na temporada que Karlos Williams atrás da mesma linha ofensiva. Então meio certo para mim.


Então foram cinco acertos, um erro grosseiro, e um meio certo. Estou bem satisfeito com meu desempenho, afinal. Vamos passar rapidamente pelas apostas de Vegas antes de ir para os prêmios da temporada...


Baltimore Ravens vencendo a divisão (2.5)

Meu pior erro da temporada - o Ravens foi a maior decepção de 2015, o Bengals um dos melhores times, e o Steelers chega nos playoffs milagrosamente apesar de uma temporada marcada por lesões. Não tem nem o que falar aqui.


New England Patriots vencendo a divisão (1.5)

Absurdo (e duplamente em retrospecto dado como a temporada acabou) pensar que o Patriots vencendo a divisão pagava mais em Agosto/Setembro do que Colts, Seattle ou o Packers vencendo as suas, embora fosse a mais segura das quatro apostas. So there. Eu entendo que o fenômeno Deflategate tenha influenciado aqui, mas uma vez que a suspensão de Tom Brady foi revertida, não deveria ter nenhuma margem para dúvida de que essa divisão já tinha dono. De novo. Aposta mais fácil da temporada.


Carolina Panthers vencendo a divisão (3.75)

Bizarramente, eu confiava no Saints vencendo a divisão, mas a diferença nas odds (3.75 para o Panthers, menos de 2.8 para Falcons e Saints) me fez acreditar que valeria mais a pena apostar no Panthers e sua defesa do que nos adversários. A defesa do Panthers fez valer minha aposta... só que dai o ataque também, e Cam Newton jogou como um MVP, e de repente o Panthers estava 14-0 e caminhando para uma temporada invicta. E eu vou fingir de agora em diante que apostando neles significava que eu acreditava desde o começo. E vocês também, se alguém perguntar.


Minnesota Vikings vencendo a divisão (8.0)
Green Bay Packers #1, Minnesota #2 na NFC South (3.6)

Hell yeah baby!!

Essa era uma aposta dupla - eu achava que Green Bay levava a divisão, mas achava que seria apertado o suficiente sem Jordy Nelson para os 8 para 1 de Minny valerem a pena. E para quem não via chance do Packers perder, tinha a segunda parte que te garantia um retorno mais seguro. Ao total, eu tinha 99% de certeza que uma delas estaria certa salvo um desastre, então apostando nas duas você tinha quase certeza de lucro. Com Minny e Green Bay se enfrentando na semana 17 valendo a divisão, de repente é a semana mais divertida da minha vida de apostador, com um payoff de 8 para 1 na linha e a certeza de ganhar no final. E Minnesota me vindicou vencendo a divisão com estilo. So there!


Tom Brady para MVP (19.0)

Eu odeio apostar em prêmios individuais por ser tão imprevisível (que tinha Cam Newton e Carson Palmer disputando o MVP na Semena 17?!), mas a 19 para 1 e revertida sua suspensão o payoff era grande demais para não valer a pena. E durante algum tempo parecia que eu tiraria a sorte grande nessa. Dai Gronk e Edelman machucaram, o Patriots caiu, o Panthers não e Cam Newton continuou elevando seu jogo. Uma pena, foi uma boa aposta, mas só um milagre salva.


Mark Ingram liderando a liga em jardas terrestres (41.0)

É, essa foi péssima. Era só uma aposta long-shot pelas odds. Mas Ingram terminou o ano no IR e com 769 jardas na temporada, o que passou bem longe de fazer valer minha aposta.

O que mais me irrita é ver que Ingram teve 4.6 jardas por corrida - número maior que Adrian Peterson, que lidera a liga pelo chão - e sonhar que Ingram teria uma chance se a defesa do Saints não fosse uma vergonha histórica e o time tivesse o tempo todo que jogar atrás no placar. E se Mark Ingram não tivesse pernas de papiê-machê. Ou é o que eu digo para mim mesmo. 


DeAndre Hopkins liderando a liga em jardas recebidas (23.0)

Hopkins terminou o ano em terceiro apesar do souflé de mediocridade que foi a posição de QB da sua equipe, e possivelmente teria vencido a aposta se a) Brian Hoyer não se machuca e b) Julio Jones e Antonio Brown não fossem marcianos. Acontece. A 23 para 1 achei uma ótima aposta mesmo já sabendo de antemão das dificuldades de quarterback da equipe.


Resultado final
Apostados: U$ 180,00
Retorno: U$ 375,00
Saldo: U$ 195,00

Obrigado, Minnesota!

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Bem, essas foram minhas apostas das preseason. Digamos que eu mandei bem até. E agora, sem mais enrolar, vamos passar para os prêmios individuais da temporada 2015 da NFL. Como sempre, vamos deixar de fora Coach of the Year porque eu detesto esse prêmio, mas se quiserem discutir nos comentários se o vencedor deveria ser Ron Rivera ou Bruce Arians, fiquem a vontade.

Prêmios individuais para a temporada 2015 da NFL


Comeback Player of the Year: Eric Berry

É, eu sei que esse é um prêmio extremamente subjetivo, que tem diversas interpretações, que cada um pode usar seus próprios critérios... que seja. Só saiba que, se Eric Berry não ganhar esse prêmio depois de vencer um câncer e voltar para ser um dos melhores safeties da NFL em 2015, nós cometemos um erro e é isso.


Defensive Rookie of the Year: Leonard Williams

Não foi a melhor corrida para Defensive Rookie of the Year que eu já vi. Ao final do ano, pelo menos tínhamos dois bons candidatos ao prêmio, mas a profundidade da disputa deixou um pouco a desejar. Bons jogadores, alguns com bons números, mas poucas performances dominantes. Ou vai ver eu que fiquei mal acostumado depois da classe com Kahlil Mack, Aaron Donald e Chris Borland ano passado (btw, dois desses ainda aparecerão nessa coluna. Fiquem ligados!). Pode ser isso.

Entre os calouros defensivos, quem mais chamou a atenção foi o CB Marcus Peters, de Kansas City, que quase gerou uma revolução nas minhas menções no twitter quando deixei ele de fora do prêmio. Peters chamou a atenção principalmente por liderar a liga em interceptações (com 8) e TDs defensivos (2), o tipo de jogador que faz jogadas espetaculares, aparece bastante nos highlights da rodada e atrai o olhar dos fãs, ao ponto que foi o único calouro defensivo a ir para o Pro Bowl (Todd Gurley e Tyler Lockett os outros). Mas eu tenho minhas dúvidas sobre Peters: o calouro sem dúvida foi um fator no jogo aéreo, jogando de forma muito agressiva nas linhas de passe... mas até demais. Sua agressividade gerou interceptações e touchdowns, mas também tirou Peters de posição vezes demais, tornando-o o tipo de jogador tudo-ou-nada, ou chegava na bola pra cortar o passe ou tomava uma big play nas costas. Pelo tanto que ele trouxe para o time, ele também teve um custo alto: ele foi o segundo CB que mais cedeu TDs (8) e jardas (939) na temporada, e o sétimo com mais faltas (9). Para ser justo, Peters melhorou bastante nisso ao longo do ano, mas avaliando o total, sua temporada não foi tão impressionante quando pareceu à primeira vista apesar de todo seu talento.

Se estamos discutindo CBs calouros, eu prefiro a temporada de Ronald Darby (Bills), que não se destacou tanto em interceptações ou jogadas de efeito, mas teve um impacto muito mais sólido e consistente ao longo da temporada, marcando WRs tops, cedendo poucas jardas (apenas 6.2 jardas por passe lançado na sua direção, mesma marca do candidato a DPOY Tyrann Mathieu), segurando QBs a um rating de 78 e cometendo pouquíssimos erros no processo - foi simplesmente uma temporada mais eficiente, que agregou mais o time do que o estilo 8-ou-80 do Peters. Avaliar CBs depende muito de assistir aos jogos, e assistir Peters e Darby foram duas experiências muito divertidas (e diferentes) ao longo do ano, mas a impressão que eu tive é que Darby simplesmente foi melhor ao longo do ano. Isso não quer dizer que ele seja um jogador melhor, ou que será um jogador melhor, mas se estamos avaliando 2015, Darby foi superior. Ele é meu segundo colocado no ballot com méritos.

Mas meu voto vai para Leonard Williams, o DE do Jets que bizarramente caiu para #6 no Draft apesar de ser considerado amplamente o melhor jogador do recrutamento. Desde o primeiro dia Williams foi uma força no interior da linha do Jets, alguém que comanda (e desmonta) marcações duplas e é um mastodonte contra o jogo terrestre, conseguindo "stops" em quase 10% das jogadas de corrida e atrapalhando sei lá quantas outras, alguém que raramente é movido fora de posição e fecha espaços mesmo quando não está fazendo o tackle... e se não fosse o suficiente, Williams ainda totalizou 4 sacks, 19 hits e 27 knockdowns na temporada (ou seja, 50 jogadas de pressão), excelentes números para um DE 3-4. É o tipo de impacto dual e consistente que você espera de uma estrela na linha defensiva. No final, ele foi o calouro que mais impacto teve em 2015, e por isso ele é meu DROY.

Ballot: 1. Leonard Williams; 2. Ronald Darby; 3. Marcus Peters; 4. Henry Anderson; 5. Arik Armstead.




Offensive Rookie of the Year: Amari Cooper

Desde cedo, essa competição se desenhou como uma disputa de dois homens entre Amari Copper (WR, Raiders) e Todd Gurley (RB, Rams), e ambos tiveram grandes momentos e algumas questões ao longo da temporada suficiente para fazer argumentos nas duas direções.

Gurley provavelmente teria meu voto se jogasse a temporada completa, mas perdeu efetivamente quatro jogos por conta de lesões, o que diminui seu impacto total na temporada. O calouro ainda teve uma grande temporada, com 1106 jardas (#3 na NFL, ainda que em um ano notavelmente fraco para RBs) e 10 touchdowns, digna de vencer esse prêmio. Ainda assim, apesar de tudo, o calouro mostrou bastante inconsistência no ano: nos seus primeiros quatro jogos completos, Gurley totalizou 566 jardas em 88 corridas, uma fantástica média de 142 por jogo e 6.4 por corrida onde foi o melhor RB da liga... e em seguida emendou uma péssima sequência de 5 jogos onde totalizou menos de metade disso, 280 jardas em 79 corridas (52 jardas por jogo e 3.3 por corrida). Terminou o ano alternando grandes momentos (140 jardas contra Detroit), péssimos momentos (48 jardas em 21 corridas contra Tampa Bay) e momentos pouco expressivos (83 jardas em 19 corridas contra Seattle). Foi uma temporada cheia de altos e baixos, com um bom resultado final. Os altos (e foram muito altos) acabaram marcando mais do que os baixos, e por isso a percepção da temporada do Gurley provavelmente acabou um pooouco alta demais em relação ao que foi de fato.

Cooper também teve seus altos e baixos na temporada, embora seja mais fácil identificá-los ao longo do ano. Nos seus primeiros 9 jogos, Cooper pegou 4 touchdowns e teve média de 86 jardas recebidas por jogo. Nos últimos 7, foram 2 touchdowns e 48 jardas de média. Parte disso veio do fato de Carr ainda estar mais confortável com o veterano Michael Crabtree (que liderou o time em passes lançados na sua direção), e parte disso veio de Carr perdendo gás ao longo da temporada, mas Cooper também não se destacou tanto assim nessa reta final. Then again, para um calouro uma linha de 72-1070-6 (recepções, jardas e TDs) é bastante impressionante, o tipo de impacto consistente que abre os olhos, e isso sem contar as jogadas que Cooper fez que poucos WRs da NFL conseguiriam (tirando Hopkins, não sei se teve outro WR que fez mais recepções contestadas do que Cooper no ano) e sua habilidade tão importante para o jogo de Oakland de arrancar jardas depois da recepção (383 YAC na temporada, 13th melhor marca da NFL).

Ainda assim, a inconsistência e os baixos de Cooper (que liderou a liga em drops, mas não aparece nem no Top15 de jardas perdidas com eles) e Gurley (4 jogos perdidos) foram suficientes para abrir a disputa para outros competidores - como Rawls, Karlos Williams, TJ Yeldon, Steffon Diggs e o resto do meu ballot - além dessa dupla. No final, nenhum deles dominou o suficiente para superar o impacto explosivo de Gurley e a solidez da temporada de Cooper, mas criou uma conversa que parecia não existir dois meses atrás.

Eu estou perfeitamente tranquilo se você preferir dar o prêmio para o teto enorme de Gurley ao invés do impacto mais completo, consistente de Cooper ao longo do ano. Mas o WR de Oakland tem meu voto pela totalidade da sua temporada.

Ballot: 1. Amari Cooper; 2. Todd Gurley; 3. Tyler Lockett; 4. Jameis Winston; 5. David Johnson.


Defensive Player of the Year: JJ Watt

Talvez porque JJ Watt jogou três jogos com uma proteção na mão quebrada (nos quais não teve o impacto sobrenatural costumeiro), ou talvez por esse ter sido um ano excepcional em termos de temporadas defensivas fora de série, mas pela primeira vez em três anos (sim, três. É um absurdo Watt não ter ganho em 2013) Watt tem competição séria e forte pelo prêmio de defensor do ano. Na verdade, essa é a melhor disputa pelo DPOY que eu lembro da história recente da NFL. Quando Josh Norman, Tyrann Mathieu e Luke Keuchly tendo temporadas fantásticas como é o caso não entram nem no Top3, você sabe que tem algo especial nas mãos.

Eu acabei deixando Kahlil Mack (que terminou o ano com incríveis 18 sacks, 8 hits, 58 hurries e ótima defesa terrestre, atestando novamente para o quão absurdo foi esse ano) em terceiro lugar, e minha decisão final acabou ficando entre dois jogadores: Aaron Donald e JJ Watt.

Ambos possuem um bom caso a ser feito a seu favor. Então vamos fazê-los.

O caso para JJ Watt: Colocando de forma simples, JJ Watt é o jogador mais destrutivo da NFL na atualidade. Não sei se muita gente chega perto, na verdade. Mesmo jogando três jogos com uma freaking mão quebrada (lembro que a ESPN soltou uma matéria chamada "Impacto de Watt diminui jogando com mão quebrada" e meu amigo Pedro, um torcedor fanático do Pats que tem passado 90% do tempo bêbado durante intercâmbio na Bélgica , me mandou o link da matéria simplesmente com a frase "NO FUCKING SHIT!!!"), Watt ainda terminou o ano liderando a NFL inteira em sacks (18), hits (34), derrubadas de QBs (51, 14 a mais que o segundo colocado) e pressões totais (89, 7 a mais que o segundo colocado), e isso enfrentando mais marcações duplas e triplas do que qualquer jogador da NFL em uma base diária. E talvez por chamar tanta atenção como pass rusher, mas as pessoas ignoram que Watt também é um dos melhores defensores terrestres da liga, totalizando mais tackles atrás da linha de scrimmage do que qualquer outro jogador da NFL e ainda derrubando 8 passes na linha de scrimmage durante a temporada (você não vai acreditar, mas Watt também liderou a liga nesse quesito). Mesmo sendo talvez sua mais fraca temporada individual em 4 anos - resultado de uma flutuação normal, a chegada de novos playmakers no time, esquemas táticos cada vez mais desenhados para minimizar seu impacto, mais marcações duplas e triplas e, de novo, três jogos com a droga de uma mão quebrada  - Watt ainda teve mais impacto do que qualquer outro jogador defensivo da liga.

O caso para Aaron Donald: Donald foi a mais dominante força de interior da NFL esse ano, alguém que rotineiramente enfrentou dobras e ocupou bloqueadores para seus companheiros e AINDA conseguia ter um enorme impacto direto em cada rodada, liderando todos os defensores de interior com 51 "stops" (paradas?) no jogo terrestre. Como todos os bons DTs da liga, Donald é o tipo de jogador que afeta o jogo mesmo quando não está envolvido diretamente na jogada, causando o colapso do pocket, fechando espaços e liberando seus companheiros. Vendo os vídeos, é incrível como Donald faz todos os companheiros melhores, e em muitas das jogadas de sack do resto da linha defensiva você percebe que foi porque o camisa 99 estava abrindo um espaço ou puxando bloqueadores extras para os colegas. E apesar disso, Donald AINDA terminou o ano com 11 sacks, 26 hits e 43 hurries na temporada, números incríveis para um DT. Essas 80 pressões totais foram a quarta melhor marca de TODA a NFL, atrás apenas de Mack (82), Von Miller (82) e  Watt (89). A diferença é que todos esses são jogadores que jogam na ponta da linha (até Watt), enquanto que Donald faz isso como um jogador de interior, o que é ainda mais difícil. E acima de tudo esse é o maior argumento a favor de Donald como DPOY: jogadores de meio de linha defensiva não deveriam ter todo esse impacto direto além de todo o papel coletivo (ocupar bloqueadores, quebrar o pocket, etc), e ainda assim Aaron teve o quarto maior impacto direto em jogadas de passe da liga através de pressões. Isso é surreal para um DT, onde você tem normalmente menos chances de ter esse impacto direto, e um dos grandes motivos pelos quais a defesa do Rams foi tão boa na temporada.

Então por que ir com Watt sobre Donald? Por um motivo simples que é impossível de capturar diretamente em estatísticas: Watt é o único jogador defensivo que eu já vi que faz times mudarem TODO seu playbook ofensivo. Todos os times fazem ajustes no seu plano de jogo para minimizar o impacto dos principais adversários, claro, mas não lembro de ter visto algum defensor que faz ataques mudarem totalmente seu plano de jogo só para neutralizar um cara. Apesar disso, Watt ainda teve todo o impacto que teve e isso antes de considerar todo o efeito dominó que você gera quando um cara sozinho muda toda a forma de jogar do adversário.

Eu compararia Watt nesse sentido com Stephen Curry: Curry é um jogador fenomenal que causa enorme impacto direto no jogo - 30 pontos, 6 assistências, enorme eficiência, ótimos passes, etc - mas seu impacto real em quadra é muito maior do que isso porque os adversários são obrigados a mudar COMPLETAMENTE sua forma de jogar para defendê-lo, abrindo assim espaços que o resto do time e facilitando o jogo para todo mundo. Watt é igual: ele é tão único e tão dominante que força os adversários a irem a extremos muito maiores para tentar neutralizar seu impacto, ao ponto de que isso acaba criando todo tipo de espaços ou aberturas que eleva o nível do resto do time. Então Watt teve o maior impacto direto em campo e ainda foi quem mais forçou mudanças e ajustes dos adversários para ajudar o resto da equipe. Esqueça ser o DPOY, um prêmio que ele poderia estar vencendo pela quarta vez consecutiva em cinco anos de NFL - é hora de citar Watt como um dos maiores defensores da história do esporte.

Ballot: 1. JJ Watt; 2. Aaron Donald; 3. Kahlil Mack; 4. Josh Norman; 5. Luke Keuchly.


Offensive Player of the Year: Antonio Brown

Eu só tenho uma regra quanto a esse prêmio: o vencedor não pode ser alguém da mesma posição do que o MVP. Então como nosso MVP é um QB - droga, dei spoiler do final da coluna - vamos deixar quarterbacks de fora desse prêmio. E se as disputas por Offensive e Defensive Rookie of the Year não foram as melhores, as disputas por Defensive e Offensive Player of the Year (e MVP também) estão mais do que compensando.

Com QBs fora da jogada, nos viramos para dois WRs que tiveram temporadas históricas - Antonio Brown e Julio Jones - e uma zebra que corre por fora, DeAndre Hopkins. E isso sem falar em jogadores como Allen Robinson, Adrian Peterson (líder em jardas terrestres), Doug Martin (que a meu ver foi  melhor que AP esse ano) e Rob Gronkowski (que um dia vencerá esse prêmio se jogar uma temporada completa, nenhum jogador ofensivo não-QB tem tanto impacto quanto ele em campo) que poderiam muito bem merecer esse prêmio em uma temporada mais "normal". Acontece que o que Jones e Brown fizeram esse ano está em outro nível.

Eu já falei de DeAndre Hopkins, e como sua temporada foi ainda mais espetacular do que parece a primeira vista: ele foi terceiro em recepções e jardas na temporada apesar de jogar com QBs muito inferiores do que Brown e Jones; de Brian Hoyer ter se machucado (e O'Brien ter surtado com as trocas na posição) e forçado o pobre Hopkins a receber passes de TJ Yates, BJ Daniels, Brandon Weeden e Ryan Mallett; e de jogar em um ataque menos focado no jogo aéreo (56,7% das jogadas do time foram passes) do que Falcons  (59,7%) e Steelers (60,3%). Como eu disse, existe um argumento a ser feito que considerando todos esses fatores - em especial a questão da diferença brutal de qualidade nos QBs envolvidos - a temporada de Hopkins foi ainda mais impressionante do que as de Brown e Jones.

Aprofundando esse ponto: QBs de Houston completaram 57.8% de seus passes no ano para 6.6 jardas por passe e QBR de 58.3. QBs de Pittsburgh completaram 66.3% de seus passes, com 8.2 Y/A e 67.5 de QBR, e os de Atlanta tiveram 66%, 7.4 Y/A e 61.5 QBR. Então foi uma diferença muito significante. É impossível dizer com certeza como os números de Hopkins ficariam com os QBs que seus concorrentes tiveram, mas pegando as jardas por passe (7.9) e o aproveitamento (57.8%) em passes para Hopkins e aplicando a diferença dos quarterbacks de cada time, podemos estimar os seguintes números (só fixando, essa relação é obviamente não linear e isso que estamos fazendo um exercício totalmente hipotético):

Hopkins com os QBs do Falcons: 127 catches para 1705 jardas

Hopkins com os QBs do Steelers: 127 catches para 1889 jardas (líder da NFL)

Então segundo nosso exercício, se Hopkins tivesse jogado com os QBs do Steelers teria liderado a liga em jardas aéreas e chegado a 9 recepções de empatar JJ/Brown, e isso antes de considerar o aumento no percentual de passes lançados e o aumento nos touchdowns recebidos. Nada mau. Nada mau mesmo.

Claro, isso ainda é uma situação totalmente hipotética feita para ilustrar a diferença entre os QBs abaixo da média do Texans e os QBs de elite (mesmo contando os jogos perdidos por Big Ben) do Steelers. No final, por mais que eu quisesse, eu não consegui colocar Hopkins acima de Jones e Brown. Então DeAndre fica com uma menção muito honrosa e o terceiro lugar, mas eu queria antes esclarecer essa questão para mostrar o quão fantástica foi a temporada de Hopkins e como ela estava sendo menos apreciada do que deveria por comparação.

Então isso nos leva à discussão final: Julio Jones ou Antonio Brown?

É absurdamente difícil decidir entre os dois porque ambas temporadas foram muito parecidas. Todos os números pós 2004 de jardas aéreas ou recebidas precisam ser levadas com toneladas de grãos de sal quando comparados historicamente, pois houve uma mudança absurda das regras contra defesas e a favor do jogo aéreo que simplesmente inflou as estatísticas além do bom senso. Mas considere o seguinte: Julio Jones e Antonio Brown terminaram ambos a temporada com 136 recepções, com Jones vencendo a disputa nas jardas aéreas, 1871 a 1841. Isso significa que ambos estão empatados com a segunda melhor marca de recepções em uma temporada da HISTÓRIA da NFL (Marvin Harrison em 2002, 143), e são segundo (Jones) e quarto (Brown) em jardas recebidas em uma temporada da história da liga. Isso é muito impressionante.

Com os números tão absurdamente próximos, ficou realmente difícil escolher um. Jones teve mais jardas, enquanto que Brown teve mais TDs (10 a 8), aproveitamento (71.5% a 70.6%) mas também jogou com um QB bastante superior ao longo do ano... mas com três jogos de Vick/Landry Jones. No final, eu estava basicamente procurando nitpicks para me ajudar a decidir, coisas como "Julio Jones teve menos faltas" e "QBs foram interceptados 8 vezes lançando para Brown".

Enfim, eu decidi deixar de lado a parte objetiva e deixar minha intuição responder a essa pergunta, aquela resposta que você pode não definir mas que seu cérebro subconscientemente achou através de 15 anos de conhecimentos acumulados de NFL. Apesar de alguns acharem por eu gostar de usar números e critérios objetivos na avaliação de jogadores eu não assisto aos jogos, a verdade é que eu assisto MUITA NFL - não só os jogos, como os vídeos depois e as fitas All-22 - e sempre tento juntar o lado numérico E a avaliação visual dos jogadores. Mas o problema é, objetivamente (tanto pelos números como pela avaliação de assistir aos jogos), eu simplesmente acho que não teve uma diferença significativa entre os dois jogadores nessa temporada para decidir entre eles.

Ao invés disso, então, recorri ao meu feeling. Como eu disse, eu assisti a muitos jogos de futebol americano no ano, e muito tanto de JJ como de Brown. E quando eu assistia, qual deles me parecia mais consistente? Qual deles mais me fez ficar surpreso com uma jogada impossível? Qual deles mais vezes me chamou a atenção com uma rota fantástica para abrir espaço? Qual deles me fez pensar mais vezes "Essa defesa está perfeita mas ainda não tem a menor chance de pará-lo"? Em resumo, enquanto eu assistia os dois jogando, qual deles simplesmente me passou o sentimento de ser mais impossível de parar, mais dominante?

Foi Antonio Brown. Por um fio, a largura de uma folha de papel... mas foi.

Ballot: 1. Antonio Brown; 2. Julio Jones; 3. DeAndre Hopkins; 4. Rob Gronkowski; 5. Doug Martin.


Most Valuable Player: Carson Palmer

Antes de chegar no debate Carson Palmer vs Cam Newton, queria fazer uma menção honrosa a dois jogadores que mereceriam demais o MVP em um outro ano e que ajudaram a fazer dessa uma das melhores corridas pelo MVP dos últimos tempos: Tom Brady e Russell Wilson.

Tom Brady parecia uma certeza para esse prêmio até mais ou menos a metade da temporada, quando New England estava invicto e Cam Newton ainda não tinha escalado o nível de seu jogo (e o Panthers ainda não parecia caminhar para um 16-0). Dai Rob Gronkowski machucou, Julian Edelman machucou, Dion Lewis machucou, LeGarrett Blount machucou, metade da linha ofensiva e seus reservas machucaram, o Patriots perdeu alguns jogos e todo mundo percebeu que Cam Newton estava tendo uma temporada história em meio a um time que podia terminar invicto. Por essas e outras Tom Brady não vai - e não deveria -ganhar novamente o MVP, mas isso não significa que o QB do Patriots não tenha tido uma temporada fantástica: 36 TDs e 1.1% de interceptações foram as melhores marcas da temporada, e Brady completou 64.4% de seus passes a 7.6 jardas por passe rumo a 4770 jardas totais, terceira melhor marca do ano. E fez tudo isso apesar de todas as múltiplas lesões, um medíocre jogo terrestre e todos os problemas extra-campo dos últimos meses (suspensão, Deflategate, os problemas no casamento/Nannygate, etc). Brady acabou "vitimado" por lesões, uma história mais atraente (importante na hora de decidir o MVP, mesmo que eu não goste disso) e uma competição particularmente fora de série em 2015 para acabar caindo fora da disputa pelo prêmio, mas sua temporada ainda assim foi espetacular.

(Interessante observar que Brady, apesar das lesões e dos drops, por outro lado teve "sorte" com seus WRs em 2015 em um quesito em particular: eles conseguiram cerca de 200 jardas após a recepção ACIMA da média para o tipo de recepções que eles faziam - ou YAC projetado. Você ve as recepções do time, onde foram feitas, com que velocidade, quanto tempo do snap, etc e calcula qual a média "normal" de YAC nesse tipo de recepção, e a partir disso consegue ver se um QB está sendo mais ou menos ajudado por seus WRs no quesito. E caso você queira usar a carta do "Brady é particularmente preciso e por isso leva a mais YAC de seus recebedores", vale citar para os dois anos que essa estatística existe antes de 2015 Brady teve 14 YAC acima da média "padrão"... somados. Acho isso interessante.)

Russell Wilson é outro com um 2015 espetacular que merece ser lembrado. Em particular, sua segunda metade da temporada: em 8 jogos, foram 25 touchdowns contra 2 interceptações (!!!), 67% de aproveitamento a 8.6 jardas por passe, além de liderar a liga em QBR por uma boa margem. Mesmo considerando a competição consideravelmente fraca dessa segunda metade (tirando uma semana 17 que não valia nada, Russell só enfrentou três defesas não horríveis nesse período: seus dois piores jogos - Arizona e Saint Louis - em duas derrotas, e a terceira foi uma defesa de Minnesota sem seus TRÊS melhores jogadores) ainda é uma das melhores sequências estatísticas por um QB na HISTÓRIA do esporte. Russell terminou o ano com os seguintes números: 68.1% (#3 na NFL), 8.3 Y/A, 34 TDs para 8 INTs e um QBR de 74.9 que foi o quarto melhor da temporada, e isso sem contar sua contribuição como corredor e o fato de ter jogado atrás de uma linha ofensiva horrível boa parte do ano. E se estamos discutindo a parte de "Mais Valioso" do prêmio, vale citar que Seattle enfim decolou quando Lynch (e depois Rawls) se machucou e o time colocou as chaves do ataque nas mãos de Wilson.

Insano pensar que Brady e Russell não ficaram no meu Top2 para MVP essa temporada. Mas esses lugares pertencem a Cam Newton e Carson Palmer.

Agora, eu sei que Newton muito provavelmente vai levar o MVP dessa temporada. Ele é a história "sexy" do ano, o talentosíssimo e chamativo (e, sejamos honestos, alguém que sofreu muitas críticas injustas por uma parte... ahn... retrógrada da mídia e dos fãs) jovem que deu um salto de produção, chamou a responsabilidade, jogou muita bola e liderou um ataque com um bando de anônimos para a melhor campanha da temporada. Além disso, a melhor forma de Newton na temporada aconteceu mais próximo da reta final, o que é injustamente relevante: o prêmio de MVP é para a temporada toda, mas querendo ou não nossas memórias mais frescas acabam pesando mais na hora de tomar decisões e fazer julgamentos.

E quero deixar claro que, se Newton ganhar, terá sido absolutamente merecido. Em nenhum momento eu não votar em Newton significa que ele não deveria ganhar, que não tenha tido um grande ano ou que não seja um grande jogador. Simplesmente significa que tem alguém que eu acho que merece marginalmente mais do que ele, e nesse ano tão ridiculamente forte na disputa pelo prêmio de MVP, a distância entre Palmer e Newton (e, honestamente, o resto do meu Top4) para mim é tão pequena que você pode mexer como quiser entre esses 4 que eu não vou reclamar. Essa é a beleza de uma temporada como essa (que eu francamente achei bem fraca em termos gerais): você tem múltiplos jogadores que podem ganhar o prêmio de MVP merecidamente.

Então vamos lá, Palmer e Newton. Deixando de lado performances individuais por um instante (chegaremos lá), o principal motivo que tem Newton como o MVP quase inquestionável no momento é que ele joga no suposto melhor time da liga por uma boa margem, um time que acabou com a melhor campanha (15-1) e que chegou muito perto de terminar invicto.

Esse argumento está errado por dois motivos: primeiro, porque é idiota você dar crédito a um jogador de algo que ele não fez ou influenciou, e portanto ao usar o argumento do "melhor time" você estaria dando crédito (ou, se eles fossem ruins, demérito) a Newton (ou qualquer outro) - um cara que joga apenas os snaps ofensivos da equipe - pelo que seus colegas fizeram em jogadas defensivas e de special teams das quais Newton não participou. E segundo porque o Panthers muito possivelmente sequer foi o melhor time da NFL, ou pelo menos não o foi de forma significativa e conclusiva para esse argumento funcionar.

Sim, Carolina terminou com a melhor campanha da NFL, mas vitórias são uma forma muito primitiva de medir o nível de jogo de um time. Aplicando métodos mais confiáveis, você começa a enxergar as coisas de maneira diferente. Carolina terminou o ano com Pythagorean Expectation - uma estimativa do número "real" de vitórias de um time a partir do seu nível de jogo - de 12-4, o mesmo número do Arizona Cardinals. Além disso, Carolina foi bastante beneficiado pela tabela: nenhum time enfrentou uma tabela mais fácil na temporada 2015 da NFL. Por isso que DVOA - uma medida do Football Outsiders que ajusta a atuação de uma equipe pelos adversários enfrentados - tem Carolina como o quarto melhor time da NFL em 2015, enquanto que Arizona - que enfrentou uma tabela mediana - tem o terceiro melhor DVOA da liga. São números menos "palpáveis", mas são exemplos de evidências existentes que apontam que Carolina não é o melhor time da NFL, ou que pelo menos não o é por uma diferença significativa.

Além disso, tem aquela velha questão de que um time não é composto só pelo quarterback, e sim por outros 52 jogadores além dele. E mesmo que o QB tenha mais participação do que qualquer outro jogador em campo, é difícil dar crédito a ele pela performance da defesa, por exemplo. E no caso do Panthers, embora o ataque seja ótimo, sua verdadeira força é a defesa que terminou #2 na NFL em DVOA, uma força da natureza que inclusive colocou dois jogadores no meu Top5 para Defensive Player of the Year (Norman e Keuchly). Então já que a defesa teve mais a ver com o Panthers sendo uma potência que o ataque (que também foi ótimo, #8 da NFL), eu quero saber o seguinte: qual o mérito de Cam Newton no Panthers ter Norman, Keuchly, Thomas Davis, Kawann Short e companhia para criar uma defesa Top3 da NFL? Nenhum. E exatamente por isso é idiota dar crédito a ele e contabilizar isso na hora de decidir por um MVP. Por mais que eu entenda que "Jogador Mais Valioso" seja diferente de "Melhor Jogador" e por isso é impossível separar totalmente performance coletiva da individual na mente dos votantes, me parece preguiçoso você incluir a performance total da equipe sem nenhuma distinção do que foi ou não influenciado por aquele jogador.

Analisando apenas a parte do jogo influenciada por Newton e Palmer - o ataque - a balança começa a pesar para o lado do Cardinals. Carolina teve uma ótima temporada ofensiva, terminando #8 em DVOA, só que o Cardinals terminou #4 no mesmo quesito. O Expected Points do Pro-Football Reference coloca Arizona como o melhor ataque da NFL, enquanto o do Panthers aparece em sexto. Em outras palavras, coletivamente a área comandada por Palmer foi MELHOR do que a comanda por Newton. Tem MUITOS motivos para eleger Newton como seu MVP, mas seu argumento passar por ele jogar pelo melhor time da Liga e que quase acabou 16-0 você está simplesmente errado.

Eliminados esses fatores externos e desmontado o mito de que Newton merece ganhar pela campanha do Panthers na temporada (de novo, tem muitos motivos pelos quais Cam merece ganhar o MVP, mas esse não é um deles), hora de avaliar a performance individual de Cam e Palmer para ver quem foi o melhor dos dois.

Como passador, Newton fez enormes avanços nesse ano, foi destrutivo durante períodos da temporada e mostrou uma evolução enorme mesmo ao longo do ano, mas ainda não esteve no nível de Carson Palmer: Cam terminou o ano completando 59.7% dos seus passes a 7.7 jardas por passe, com 35 TDs (7.7% dos seus passes, melhor marca da liga) e 10 TDs, e esses números não mostram a evolução de Newton ajustando jogadas, lendo defesas e otimizado chamadas, tirando o máximo de um underrated mas limitado corpo de recebedores e tudo mais. Mas Palmer teve a melhor temporada de um passador na NFL em 2015: 63.7%, 8.7 jardas por passe (melhor marca da NFL por uma boa margem), 35 TDs, 11 ints e algumas das mais bonitas bolas longas da NFL em 2015. E mesmo isso não conta toda a história, seus ajustes fantásticos e capacidade incrível de antecipar pressão e tomar as decisões corretas em alta velocidade antes que chegasse a pressão. Jogando atrás de uma das piores linhas ofensivas da NFL, Palmer era forçado a sempre antecipar a pressão, controlar uma opção curta, manter um olho na linha e outro na secundária, e tomar decisões em alta velocidade para evitar a pressão... e ele AINDA liderou a NFL em jardas por passe, jardas por passe completo E tomou apenas 25 sacks. Isso é surreal, e mostra o nível de dificuldade do que Palmer teve que fazer na temporada. Por isso que as métricas avançadas que incorporam esse tipo de situação amam Palmer ainda mais do que seus já ótimos números superficiais, liderando a NFL com folga em QBR (82.2, 5.3 pontos na frente do #2) e PFF Rating (57.3, 7 pontos na frente). É o tipo de coisa que não aparece facilmente nos números superficiais ou se você só assistiu ao jogador algumas vezes no ano, mas que foi crucial para elevar o ataque do Cardinals.

Vale mencionar também que o ataque aéreo liderado por Palmer é também o terceiro melhor da NFL, enquanto o liderado por Cam é o nono. O maior argumento pró-Newton nesse sentido é que ele teve que lidar com um grupo fraco de recebedores enquanto que Palmer teve talvez o melhor da NFL, o que é verdade até certo ponto (o grupo de WRs do Panthers jogou bem melhor do que você teria esperado no papel, e Greg Olsen é um dos melhores TEs da liga). Mas também tem que computar que Newton jogou atrás da terceira melhor linha ofensiva da liga, enquanto Palmer jogou atrás da quarta pior. No final das contas, as estatísticas básicas, as avançadas e o teste visual todas dizem a mesma coisa: Newton teve um ótimo ano como passador, um dos melhores da liga, mas Palmer foi absolutamente fora de série e em outro nível em relação aos seus companheiros de profissão.

Claro, o problema é que é impossível capturar o impacto de Newton olhando só sua atuação como passador, porque nenhum outro QB tem tanto impacto no jogo com as pernas. E mesmo assim, olhar "apenas" para suas 636 jardas e 10 touchdowns (coisa pra cacete) não dão idéia da dimensão total do seu impacto nessa frente. Newton vai correr, anotar TDs e acumular jardas com as pernas sim, mas é mais que isso: com o físico de um linebacker, Newton é a mais devastadora força de curta distância que a NFL tem na atualidade.

Em 2015, Cam Newton converteu com as pernas 30 de 36 oportunidades de conversões de 3 jardas ou menos (83%) e 26 de 30 (82%) em conversões de duas jardas a menos, inclusive ridículas 21 de 24 conversões de terceiras ou quartas descidas descidas para 5 jardas ou menos e ainda mais patéticas 17 de 18 tentativas de terceira ou quarta descidas para 2 jardas ou menos. Newton é simplesmente rápido, grande, forte e agressivo demais para ser parado nessas situações, e isso é o que levou o Panthers a terminar alguns dos mais absurdos números nessas situações: 80 de 93 oportunidades de conversões de 3 ou menos jardas (86%) e 68 de 71 conversões (96%) de duas jardas ou menos, inclusive 28 de 33 em terceiras/quartas descidas. E pior, o ataque do Panthers é CONSTRUÍDO em torno dessas conversões curtas, mantendo o time em campo e estendendo campanhas o suficiente para Newton conseguir a abertura que gosta e fazer suas jogadas explosivas. É como um jogador de poker que vai conduzindo o jogo, fazendo pequenas apostas aqui e ali, se mostrando e mantendo mantendo vivo tempo o suficiente para conseguir a mão que quer... e dai ele faz sua jogada e acaba com a mesa. Muito do sucesso do Panthers vem das conversões curtas, e elas dependem diretamente do quão bom Newton é nessas situações de conversões de curta distância.

E isso antes de considerar como essa característica de Newton faz dele uma ameaça correndo quando não existe uma boa opção de passe, ou sua capacidade de usar as pernas para fugir da pressão e estender as jogadas. Eu sei que já usei a analogia, mas que seja: assim como a presença de Ray Allen em quadra correndo por screens fazia todo mundo defender o seu time diferente, as pernas de Newton fazem o adversário sempre ter que contar com uma ameaça a mais na hora de defender, mantém os defensores mais preocupados com ele e não com os companheiros, faz os adversários jogarem com um jogador de "spy", e por ai vai. Além de correr com a bola, a simples ameaça disso abre espaços e faz a vida dos seus colegas mais fáceis - em particular Jonathan Stewart. Então Newton não só comanda o nono espaço melhor ataque aéreo da NFL, mas também é parte integral do sexto melhor ataque terrestre da liga.

Então Carson Palmer foi um passador consideravelmente superior que Cam Newton, mas Newton adiciona um valor pelo chão que Palmer não tem esperança de igualar. Esse valor adicionado com as pernas e com a ameaça de suas corridas é suficiente para compensar a diferença pelo ar? Hmm... eu não sei. Não da pra saber com certeza, não existe fórmula mágica, e no fundo é como dizer se 10 maçãs e 5 bananas são melhores que 10 maçãs. Depende muito dos critérios que você usar e da sua opinião pessoal.

Para nos ajudar, podemos recorrer a algumas métricas avançadas que incorporam ambos os impactos feitos por um QB, pelo ar e pelo chão. Nenhuma métrica no futebol americano vai algum dia servir como uma medida perfeita, capaz de compactar tudo que um jogador faz em um único número inquestionável, mas ainda oferecem informações valiosas que podem servir de guia para nos ajudar a compreender algo tão complexo. Então tem quatro métricas no mundo do futebol americano que servem para englobar tanto corridas como passes (bem como outros fatores) e que possuem uma boa base teórica e estatística por trás: QBR, DVOA, EPA e PFF Rating.

Entre eles, eu pessoalmente preferi usar EPA porque ele é o que mais claramente separa os dois impactos, então podemos comparar as diferenças com mais clareza. QBR (EPA na verdade é um componente do QBR) e DVOA também computam ambos separadamente, claro, mas em escalas diferentes e nos mostram só o resultado final (que computa ambos), e PFF Rating é uma variável mais subjetiva. Então vamos focar em EPA por enquanto (mas não se preocupem, falaremos de todos).

EPA significa Expected Points Added - em resumo, quantos pontos no total um jogador adicionou ao seu time ao longo da temporada em um determinado quesito. Então se Alex Smith tem 52.8 de EPA em passes, isso significa que ele sozinho (desconsiderando o que foi resultado de outros jogadores, WRs, linha ofensiva, etc) gerou 52.8 pontos para seu ataque no total (já descontados, por exemplo, os pontos que ele "tirou" da defesa com interceptações). É bom por colocar já todo o impacto em uma unidade comum e fácil de entender, corridas geradas, para comparar diferentes fatores.

Então como EPA coloca as proezas de Palmer e Newton em perspectiva essa temporada? Da seguinte maneira: Palmer gerou 101.3 corridas como passador, enquanto que Newton gerou 70.4. Eu esperava que a diferença fosse um pouco menor (embora por ser uma estatística contábil os 40 passes a mais que Palmer lançou ajudem a aumentar a diferença), mas não foge muito do que eu esperava, o jogador do Cardinals com uma significativa margem (ajustando pela quantidade de passes, Palmer lidera a NFL com folga no quesito com uma exceção - Big Ben, que perdeu 4 jogos).

No entanto, considerando EPA correndo com a bola, Newton tem a vantagem, como esperado: 17.5 corridas geradas, contra 2.1 de Carson Palmer. Os números são menores do que os de passe por um motivo óbvio: passes geram muito mais jardas e pontos (tanto no sentido literal quanto no analítico) do que passar a bola, algo que é ainda mais verdade na NFL de hoje onde os ataques aéreos tem ampla supremacia. Só ver que Newton gerou 3837 jardas com o braço, e só 636 com as pernas, uma diferença enorme. Por isso que, logicamente, corridas geram menos pontos em termos de EPA do que passes (e sim, EPA ajusta por situação de jogo, então esses 17.5 já estão computando suas conversões de quartas descidas).

Somando tudo, chegamos ao total nesses dois fundamentos: 103.4 para Carson Palmer contra 87.9, ainda uma boa diferença. No total (que também considera sacks e faltas), Palmer acaba com vantagem ainda maior, 100.2 (melhor marca da NFL por uma boa margem) contra 73.2 de Cam. No final, o que faz a diferença foi justamente o fato de que a área onde Palmer é consideravelmente melhor (jogo aéreo) tem um impacto extremamente maior no jogo do que a área onde Newton tem grande supremacia. Mesmo considerando que esse EPA não considera o impacto passivo de Newton (abrindo espaços simplesmente pela sua presença), a diferença ainda é significativa o suficiente para dar a vantagem para Carson Palmer.

As outras métricas seguem a mesma linha, principalmente pela diferença em impacto entre jogo aéreo e terrestre. DVOA (e sua variável cumulativa, DYAR) dizem que apesar de Newton ter sido o melhor QB gerando valor com as pernas, esse valor ainda é suficiente para tirar apenas 20% da diferença entre Palmer e Cam pelo ar (DVOA ajusta por calendário, o que tem maior impacto já que o Panthers teve a tabela mais fácil da liga). PFF Rating da uma vantagem pelo ar ao camisa 3 de 55.6 a 25.9 (que não se enganem é uma excelente nota), com Newton levando vantagem pelo chão de 14.5 a -0.2 - no final, Palmer tem a vantagem por 57.1 (melhor marca da NFL por muito) a 41.1 (terceira melhor da liga). E o QB do Cardinals também tem a vantagem sobre Cam (e o resto da NFL) em QBR, terminando o ano com um brilhante 82.2, contra 66.1 do rival. E se você quiser olhar pelo pelo lado macro, DVOA diz que o ataque aéreo do Cardinals sozinho já produziu mais valor (ajustado pelo calendário) do que o ataque aéreo e terrestre do Panthers JUNTO.

De novo, não tem nenhum problema se você quiser dar seu voto para Cam Newton: ele foi dominante e brilhante o ano todo, comandou um dos melhores times da liga e teve um enorme impacto direto E indireto no seu time. Se for o MVP, como é provável, terá sido merecido. Mas na minha avaliação, Carson Palmer foi um jogador melhor, e ganha meu voto para MVP.


Ballot: 1. Carson Palmer; 2. Cam Newton; 3. Russell Wilson; 4. Tom Brady; 5. Drew Brees